Conjuntura económica está com sensação "déjà vu"dos anos 90

Conjuntura económica está com sensação "déjà vu"dos anos 90
Foto: D.R.

A evidência empírica demonstra que o período actual que a economia angolana vive é dos piores da história, ficando atrás apenas das épocas de 1990 a 1995. Nesta época, a economia havia registado uma recessão acumulada de 15,86%, com particular destaque para o ano de 1993, em que o PIB contraiu 23,90%, recessão mais profunda da história da economia.

As finanças públicas estavam asfixiadas com défices sucessivos e, no final de 1995, chegou aos 20% do PIB. Parte destes défices foi financiado com emissão de moeda, gerando níveis de inflação alarmantes. A inflação homóloga foi de 490% em 1992, 1.838% em 1993 para atingir o pico de 3.784% em 1995.

A dívida externa total era 10.093 milhões USD com 2.378 milhões USD em atraso e, durante o período de 1995 a 1996, houve reestruturação da dívida, ou seja, o Governo reescalonou 30% do seu stock da dívida, incluindo atrasos e o perdão de 70% da dívida com a Rússia. O défice na balança de pagamentos era de 504 milhões USD até ao final de 1996, demonstrando a perda significativa das Reservas Internacionais líquidas (RIL"s).

Apesar de as cifras dos macroeconomics fundamentals serem mais moderadas, os últimos 5 anos não têm sido muito diferentes do período supracitado. De 2016 até 2019, houve contracção no PIB de 5,76% e, de acordo com a previsão do CEIC (-6,8%) para 2020, a recessão acumulada deverá atingir os dois dígitos (12,56%).

Actualmente, as finanças públicas encontram-se asfixiadas, estando o Executivo a tentar cortar despesas para ver se, de alguma maneira, não agrave ainda mais o défice orçamental, que já ronda perto de 5% do PIB, e controlar a dívida pública, cuja cifra está acima dos 106% do PIB. A inflação homóloga tem-se mantido rígida nos dois dígitos, com números de 41,95%, 23,67%, 18,6% e 16,9%, em 2016, 2017, 2018 e 2019, respectivamente.

A dívida externa é cerca de 66 mil milhões USD, de 2016 até hoje o Kwanza já perdeu mais de 254% do seu valor. A balança de pagamentos continua a registar défices, gerando perdas significativas nas RIL"S (quebra de aproximadamente 44% para USD 11,7 mil milhões, de 2016 até finais de 2019).

Volvidos quase 25 anos, o Executivo volta a negociar o reescalonamento da dívida pública e a Bloomberg informou que Angola, com USD 3,37 mil milhões em alívio da dívida poderá ser o maior beneficiário da Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI) do G-20. Na última década dos anos 90, o País passou por três crises, entre elas cito: Política, económica e social. Actualmente o País está a passar por três crises também, a saber: económica, social e epidemiológica.

*Economista e docente universitário

(Leia o artigo integral na edição 581 do Expansão, de sexta-feira, dia 3 de Julho de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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