A esposa do soldado

A esposa do soldado
Foto: D.R.

Enquanto que a mulher de um soldado casa com a paciência e aprende, na prática, a suportar os desagrados da solidão de um casamento, da incerteza, da espera de boas ou más notícias, das frustrações e das despesas financeiras com muita calma e altivez. No RH essa mesma paciência é amiga íntima da gestão.

Uma jovem mulher atinge a maturidade sabendo que deve ser uma boa esposa, dona de casa, mãe. Ao notar que vai casar com um soldado, prepara-se para aprimorar a virtude da paciência, pois o trabalho de um soldado é viajar para missões que podem demorar de um mês a vários anos sem saber se voltará pelo seu pé ou num caixão.

Um soldado vive pela pátria e pelo caminho constitui família apenas para ter um porto seguro para onde regressar e filhos para dar continuidade ao seu legado. Enquanto que a mulher de um soldado casa com a paciência e aprende, na prática, a suportar os desagrados da solidão de um casamento, da incerteza, da espera de boas ou más notícias, das frustrações e das despesas financeiras com muita calma e altivez.

No RH essa mesma paciência é amiga íntima da gestão. O técnico de RH, no âmbito das funções a partir do momento em que escolhe esta profissão, sabe que, além de atrair, seleccionar, acolher, acompanhar, formar, avaliar e remunerar tem, ainda mais, de adquirir o hábito da paciência. A paciência, mais do que uma virtude, é a arte de suportar situações desagradáveis sem perder a calma.

No actual sistema de mutações frenéticas e com o apoio das tecnologias, tudo se faz de forma rápida, as certezas são temporárias, o imediatismo deixa os colaboradores vulneráveis a várias doenças e o exercício da paciência fica, cada vez mais, distante dos conceitos do crescimento humano.

Seja no amor, seja na dor, seja na economia, na política ou nos tribunais, a sociedade conduz a mudanças incutidas no dinamismo acelerado que tem como pretensão dar tempo para o ser humano fazer outras coisas e aproveitar a vida da melhor forma. No entanto, o próprio sistema mundial está de tal forma formatado para o imediato que até o lazer é dinâmico e exige o estilo de fast food. Ao RH, coube
-lhe, embora com alguma resistência, adaptar-se a este contexto frenético, no entanto, assim como em outras profissões, a paciência é de cariz obrigatório para o factor de sucesso competitivo.

No RH variadíssimas situações desagradáveis, constrangedoras e injustas acontecem, para as quais o técnico precisa de muita paciência para proceder com sabedoria. Por ser o departamento intermediário entre objectivos empresariais e objectivos individuais este suporta também situações de perder o controlo emocional. Contudo, a paciência após ser devidamente treinada contribui para o melhor rumo das metas. Assim como a mulher do soldado, o RH aprimora essa paciência em alguns pontos:

Paciência nas necessidades financeiras: o soldado deixa mecanismos de subsistência mensal para a família, de forma a suprir as necessidades básicas. No entanto, é apenas um apoio fixo, não prevê outras necessidades que surgem ao longo dos tempos, ou suprir pequenos caprichos que de alguma forma suprem a falta do esposo.

*Gestora de recursos humanos e professora universitária

(Leia o artigo integral na edição 582 do Expansão, de sexta-feira, dia 10 de Julho de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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