Reabertura da economia, um sério teste à governação em Angola

Reabertura da economia, um sério teste  à governação em Angola
Foto: D.R.

No dia 26 de Maio Angola saiu do estado de emergência e passou para a situação de calamidade, o que representava uma melhoria. Dois meses depois, devido ao aumento de casos, decidiu-se manter a cerca sanitária para as cidades de Luanda e Cazengo, no Kwanza-Norte.

Num texto anterior, alertamos que na ausência de uma solução farmacêutica, i.e., vacina, o Executivo teria de investir seriamente no aumento da capacidade de testagem dos serviços de saúde para que a retoma da actividade económica fosse feita em segurança. Apenas nesta altura estão a ser realizadas campanhas de testagem em massa e num mercado tivemos uma situação caricata. Um indivíduo que testou positivo pôs-se em fuga, ao invés de procurar ajuda médica.

Este incidente serve de chamada de atenção para que os governantes revejam a forma como esta crise está a ser gerida. Existem relatos de que alguns pacientes estão a ser marginalizados, como se eles fossem culpados pelo sucedido. Em outros contextos, as pessoas são encorajadas a ficar em casa por 14 dias, caso sintam que tenham contraído a doença, e se desenvolverem alguns dos sintomas, por exemplo febres altas, devem procurar ajuda médica. Se o resultado do teste der positivo, as autoridades procedem ao rasteio e pedem a todos que tenham mantido contacto com essa pessoa para preventivamente se isolarem durante 14 dias. Isso para não sobrecarregar o sistema de saúde pública. A experiência dos outros países também mostra que são mais vulneráveis à Covid-19 todas aquelas pessoas com idade avançada, condições médicas pré-existentes, por exemplo doenças respiratórias, pessoas envolvidas em trabalhos precários (roboteiro, zungueira) bem como aquelas que vivem em zonas mais vulneráveis, onde haja falta de saneamento básico e água potável. Porém, devido à alta taxa de infecção qualquer um pode ter essa doença.

Muitas pessoas em Luanda não têm condições mínimas de sobrevivência, sendo forçadas a saírem de casa para poderem ter o que comer no dia. O programa do Executivo que prevê atribuir 8.500 Kz/mês às famílias carenciadas mostra-se claramente insuficiente. Este é um problema da governação e não culpa das pessoas afectadas. Este é o momento das administrações de bairros e municipais fazerem-se sentir junto das populações sob sua responsabilidade, criando condições para quem estiver afectado receber um apoio mínimo durante os 14 dias de isolamento e, se mais tarde precisar de assistência médica, a administração proceder à transferência. Recursos para este tipo de operação poderiam surgir, por exemplo, do adiamento de projectos, como a construção da nova sede para a Comissão Nacional Eleitoral (mais de 44 milhões USD) ou dos 25 milhões USD das 200 casas que o Executivo decidiu comprar em Calumbo.

*Docente e investigador da UAN

(Leia o artigo integral na edição 583 do Expansão, de sexta-feira, dia 17 de Julho de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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