"O confinamento serviu para estimular o meu lado artistíco

"O confinamento serviu para estimular o meu lado artistíco
Foto: Lídia Onde

Chita Pedro Catuto iniciou-se muito cedo na pintura e com o tempo foi aperfeiçoando as habilidades. É um artista desde que se conhece. Em tempo de confinamento criou a colecção de quadros, "Filhos da Quarenta na calamidade".

Há quanto tempo é artista plástico?

Não me considero um artista plástico, mas de um modo geral faço arte desde criança. Perdi algum vigor do tempo dos estudos académicos, estava mais focado em outras matérias, mas a arte é algo que identifico em mim desde sempre.

Como está a viver esta fase de isolamento social?

Creio que aprendemos a definir e a diferenciar as vaidades das necessidades prioritárias. Apesar disso, também sabemos que existem dois grupos de pessoas que quebram as medidas de isolamento social. Os que por necessidades imperiosa do ofício saem para sustentar a família ou para dar suporte às autoridades de controlo a pandemia, o que é honroso e compreensível. Mas também existe outro grupo, os negligentes que saem por "prazeres", como ir a festas, sentadas, praias, hamburguerias e encontros infundados com parentes, amigos e amantes.

Curiosamente o grau de infecção não é o mesmo em homens e mulheres.

Temos um País com uma população maioritariamente do sexo feminino, mas em termos de números de pessoas infectadas pelo vírus Sarscov-2 a maior parte é do sexo masculino. Isso indica que algo não vai bem, ou nós os homens temos violado as medidas de prevenção ou existem outros factores biológicos que desconhecemos.

Teve que cancelar alguns projectos?

Sim. Tive que adiar dois, ambos na esfera do desenvolvimento pessoal como artista, mas não só, porque se tratavam também de experiências importantes enquanto cidadão. Tinha o plano de conhecer de perto e estudar dois povos de Angola - os Mucubais na província do Namibe e os lundas Tchocwe no leste do País. Decidi cancelar estas duas viagens devido às medidas declaradas pelo Estado.

Continua a criar para aproveitar essa fase de afastamento ou está apenas a descansar?

Continuo com o meu trabalho artístico Andei por um período longo de hibernação e preciso recuperar as ideias. Tenho uma série de quadros sobre a quarentena que lhe chamei "Os Filhos da Quarentena na calamidade".

Pode explicar-nos como surgiu este projecto?

Surgiu de forma espontânea devido ao stress e à monotonia do isolamento social. Quando foi declarado o Estado de Emergência percebemos, em conjunto com a família que acabámos por criar uma rotina, partilhar jogos de tabuleiro, ver filmes. Como sou uma pessoa de espírito inquieto, fiquei aborrecido rapidamente. Com o apoio da família produzimos o primeiro quadro intitulado "Filhos da Quarentena". Seguiram-se os outros e nunca mais parámos. Fomos publicando na minha página do Facebook de forma contínua até um dia atingir a excelência e estarem prontos para expôr em público.

(Leia a entrevista integral na edição 584 do Expansão, de sexta-feira, dia 24 de Julho de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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