O poder auto-destrutivo do BPC

O poder auto-destrutivo do BPC
Foto: D.R.

As revelações traumáticas sobre as dificuldades de insolvência - consubstanciadas em comportamentos fraudulentos e negócios, deficiente diversificação de activos, choque de variações dos ciclos económicos e empréstimos sem critérios claros, provam que, ao longo do tempo, o Banco de Poupança e Crédito (BPC) viveu a acreditar num presente fantasioso.

Hoje, a instituição passa por um momento apocalíptico, sem certeza do futuro.

Encoberto em aparências - pela publicidade irreal que ainda insiste em veicular - o descalabro vem lá de trás. Mas também não houve capacidade das sucessivas administrações, que se sucederam até aos dias de hoje, para travar o desaire.

Este pesadelo pariu traumas, destruiu relacionamentos e deixou uma trágica combinação de negligências e abusos. O momento é dramático e, nas circunstancias actuais, demolidor.

O histórico de desvarios - desvios milionários, furtos ou desfalques nas contas dos clientes, desconfiança dos clientes, péssimo atendimento nos balcões, o "deixa andar" consentido diante do clamor de mudanças profundas do público - construiu um arsenal destrutivo da estrutura do banco e abalou os alicerces e fundamentos da instituição. E não houve, neste lapso de tempo, administração à altura capaz de diagnosticar os tumores e programar cirurgias que provocassem menos dores.

Incapaz de sobreviver sozinho, diante do vendaval, mais de cem agências, em todo o país vão encerrar as portas e mais de mil trabalhadores, em idade activa, têm o olho da rua à vista. Também eles não se podem queixar, de todo. Eles próprios são co-autores do afundanço.

Com a desgraça à vista, o Sindicato Nacional dos Empregados Bancários (SNEBA) aparece em defesa da classe. Um sindicato que ao longo do tempo assistiu e se calou perante os sinais do descalabro do banco, passo-a-passo.

Todos juntos foram incapazes de oferecer soluções aos profundos problemas da instituição, às queixas constantes dos utentes, às posturas inadequadas, incoerentes e, inúmeras vezes, incorrectas de atendimento dos funcionários ao público.

*Docente Universitário

(Leia o artigo integral na edição 585 do Expansão, de sexta-feira, dia 31 de Julho de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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