A deterioração da eficiência operacional do sistema bancário

A deterioração da eficiência operacional do sistema bancário
Foto: D.R.

Os bancos comerciais existem para desenvolver duas actividades importantes, a captação de depósitos e a concessão de crédito. Mas, as sucessivas recessões que têm caracterizado a economia nacional nos últimos quatro anos, afectaram, por um lado, a capacidade de os agentes económicos canalizarem as suas poupanças para o sistema bancário dado os custos de contexto, e por outro, tornaram mais severas as políticas de financiamento à economia, com efeitos sobre a actividade bancária.

O aumento dos custos de operacionalidade dos bancos conduziu-os à imperatividade de criar-se/registar-se imparidades para cobrir os elevados riscos de crédito, uma vez efectuada à devida avaliação e separação entre os "bons" dos "maus" riscos de crédito, fazendo recurso a métricas próprias desenvolvidas pelos bancos, eliminando à partida a possibilidade de ocorrência de risco moral.

O intensificar do cenário macroeconómico desafiante, onde se perspectiva a quinta recessão consecutiva de cerca de 3,6%, de acordo com o Orçamento Geral do Estado Revisto 2020 (OGER 20), deverá colocar os bancos comerciais cada vez mais afastados do pico dos resultados líquidos observados em 2018, de cerca de 500,359 milhões Kz, segundo o Estudo da Banca em Análise 2019 da Deloitte.

Segundo o estudo, em 2019, o resultado líquido do sector bancário fixou-se em 121,234 milhões Kz, uma redução de cerca de 76%, influenciado pela diminuição dos resultados cambiais e pelo aumento dos custos operacionais. Assim sendo, surge a necessidade de os bancos ajustarem a deterioração da actividade económica nacional a novos modelos de negócios, com vista a melhorar a rentabilidade do sector que deverá passar pela melhoria da eficiência operacional do sistema.

A eficiência operacional do sistema bancário, medida pelo rácio cost-to-income - a relação entre os custos e os proveitos - fixou-se, segundo dados do Banco Nacional de Angola (BNA), em 44,22%, um incremento mensal e homólogo de 1,7 p.p. e 3,76 p.p., respectivamente, mas longe dos 70,38% apurados no início do segundo semestre de 2014, período que coincide com a queda do preço do petróleo no mercado internacional, o que sugere o nível de exposição dos bancos comercias face ao sector petrolífero.

*Economista e analista de mercados financeiros

(Leia o artigo integral na edição 585 do Expansão, de sexta-feira, dia 31 de Julho de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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