Chevron, Exxon e BP adiam investimentos em Angola

Chevron, Exxon e BP adiam investimentos em Angola
Foto: Quintiliano dos Santos

Chevron, Exxon e BP cortaram os investimentos previstos para o sector petrolífero angolano este ano e só em 2021 irão decidir se retomam operações de exploração e pesquisa nesse ano, revela o relatório "Indústria O&G no actual contexto de crise, Perspectivas de posicionamento estratégico no curto-prazo" da Deloitte. De acordo com o documento a que o Expansão teve acesso, o contexto actual obrigou empresas líderes a repensarem a sua estratégia global. Em Angola, tomaram-se iniciativas de abrandamento ou suspensão de algumas operações por parte das denominadas "majors" da indústria devido ao contexto actual dominado pela pandemia da Covid-19, que reduziu o consumo de crude a nível mundial.

Das cinco majors que operam blocos petrolíferos em Angola, apenas a francesa Total e a italiana Eni retomaram a actividade de exploração no final do mês de Agosto, com uma sonda cada. Todas as outras mantêm a decisão de suspender as operações de perfuração este ano.

Já a petrolífera britânica BP é a única que admite reanalisar as actividades de perfuração em 2021, numa decisão que deverá ser tomada no terceiro trimestre deste ano. Este abrandar da actividade de exploração e pesquisa surge numa altura em que Angola pretende inverter a tendência de declínio da sua produção.

No periodo de 2015 a 2020 estavam previstos investimentos no mercado angolano superiores a 50 mil milhões de dólares orientados a projectos de capital intensivo como o bloco 32,operado pela Total, que representa um investimento superior a 18 mil milhões de dólares e o bloco 15/06, operado pela ENI, no valor de 8 mil milhões de USD. Face ao contecto actual verificou-se uma tendência global de redução do CAPEX em cerca de 20% a 30% explicaram o partner da Delloite para a área de Petróleo e Gás, Frederico Martins Correia, e o Oil & Gas manager da Deloitte Angola, Luis Filipe Colaço na qualidade de responsaveis pela área da multinacional que produziu o relatório. Os especilistas referem que não obstante a redução, Angola é um mercado estratégico quer para Total quer para a ENI, que representam 20% e 10% do enprodução operada nacional. " Ambas as operadoras foram as primeiras a mostrar compromisso de longo prazo com o país , sendo responsaveis pelas duas únicas sondas que o país tem a operar em Angola: as sondas Skyros e Voyager para perfurar poços nos blocos 17 e 32. O analista Jo
sé Oliveira clarifica que em relação às sondas vale acrescentar que a maioria das que estão a trabalhar não estão propriamente em pesquisa, ou seja, à procura de novas descobertas de petróleo, mas sim a desenvolver trabalhos em blocos em que já se sabe que há petróleo para aumentar a produção.

O Impacto dos cancelamentos

A italiana Eni suspendeu as operações no Bloco 15/06 com a sonda Sonangol Libongos e com a Cabinda Norte, onde estava a realizar trabalhos de prospecção e exploração na região do Dinge em Cabinda, depois de não ter descoberto crude (não relacionado com a crise actual) e cancelou todas as suas operações em Itália com a previsão de retomarem apenas em 2021. Já os americanos da Exxon Mobil suspenderam as operações de perfuração de campos marginais planeadas para 2020 ao abrigo da extensão de concessão até 2032 assinada a 28 Janeiro 2020.

(Leia o artigo integral na edição 591 do Expansão, de sexta-feira, dia 11 de Setembro de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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