"Convido o Estado a fazer auditorias às instituições filantrópicas"

"Convido o Estado a fazer  auditorias às instituições filantrópicas"
Foto: César Magalhães

Estreou-se na música clássica aos 12 anos, maestro Félix da Costa é o responsável da Orquestra Camerata de Luanda. O primeiro angolano a dirigir orquestras internacionais diz que o País vive um momento em que todas as instituições devem gerar receitas e mostra-se disponível a contribuir para que Angola tenha altas performances em palco.

Quando e como descobriu o gosto pela música clássica?

Comecei a gostar de música por causa da igreja. Via os irmãos a cantar hinos clássicos e muito profundos e foi aí que me apaixonei pela música. Em 2008, fui seleccionado para o projecto Kaposoka, que frequentei durante 10 anos e pelo qual nutro um sentimento de gratidão pela oportunidade que me deram.
Quando sentiu a necessidade de criar a Orquestra Camerata de Luanda?

Criámos a Camerata no momento mais difícil das nossas carreiras, em 2017. Sentimos necessidade de criá-la, porque queríamos trazer um conceito diferente de orquestra para o nosso mercado. Reuni os meus colegas e falei a respeito do projecto e de como seriam distribuídas as tarefas e responsabilidades de cada membro. Não são colaboradores, cada membro da nossa orquestra é um accionista.

Passado esse tempo, qual é o balanço que faz?

É positivo. A Camerata é a única orquestra, neste momento difícil para o País e o mundo, que proporciona concertos e que está a trabalhar com alguns artistas. É bastante satisfatório, podemos mesmo dizer que ganhámos o ano de 2020.

Tiveram apoio financeiro na concepção da orquestra?

Não tivemos nenhum tipo de apoio financeiro. Temos bons parceiros e pessoas singulares que nos dão muita força e ajudam conforme podem, o que, para nós, faz toda a diferença. Prova disso foi o Show do Mês, em Agosto, realizado pela Nova Energia, isso sim foi um apoio que, financeiramente não conseguiríamos compensar.

Qual foi o valor investido no início do projecto?

Investimos apenas as nossas capacidades intelectuais e os nossos instrumentos. Começámos como um simples projecto, foi difícil, mas não impossível e hoje somos a Orquestra Camerata de Luanda.
Recentemente, criou o projecto "Yellen" (brilho).

Qual é o principal objectivo?

Começámos com 27 membros e hoje estamos com 50, desde a música, dança, desporto e teatro. O principal o objectivo do projecto é mudar vidas por intermédio das artes, este é o compromisso que tenho com Angola.

Disse que gostava de partilhar o palco com as filarmónicas de Berlim e de Viena. Porquê?

São as melhores do mundo. Partilhando o palco com eles, Angola sairá a ganhar e será mais uma subida para a nossa cultura: juntar-se aos grandes e aprender com eles, torna-nos grandes também.

É vosso sonho fazer da Orquestra Camerata a melhor de África.

Como pretendem realizar esse sonho? Será possível se continuarmos a trabalhar ao ritmo em que estamos e começarmos a fazer parcerias público-privadas, a fim de, juntos, buscarmos parceiros, porque precisamos de instrumentos mais profissionais e de fazer alguns refrescamentos.

(Leia a entrevisa integral na edição 591 do Expansão, de sexta-feira, dia 11 de Setembro de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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