BNA "corta" em 38% venda de divisas aos bancos com o regresso das petrolíferas

BNA "corta" em 38% venda de divisas aos bancos  com o regresso das petrolíferas
Foto: D.R.

O volume total de divisas vendido pelo Banco Nacional de Angola (BNA) aos bancos comerciais caiu 38% para 2.327 milhões USD nos primeiros cinco meses deste ano face ao total disponibilizado em igual período do ano passado, influenciado com o regresso das petrolíferas às vendas directas no mercado cambial e compras a outros clientes, de acordo com cálculos do Expansão com base no boletim mensal do banco central referente a Maio.

Para explicar a redução das vendas do BNA ao mercado está também o facto de as receitas com as vendas de petróleo, a principal commodity de exportação, ter contraído em 67% comparativamente ao período homólogo anterior, de acordo com uma fonte do banco central.

Por outro lado, aumentou a venda de divisas dos operadores da indústria petrolífera e de outros exportadores. Aliás, se de Janeiro a Maio deste ano o banco central vendeu um total 2.327 milhões USD, as petrolíferas e o mercado (excluindo o sector diamantífero e outros) somam um total de 3.045 milhões, ou seja, mais 718 milhões do que as vendas do BNA. "As compras ao BNA correspondem a cerca de 50% das divisas adquiridas [pela banca] ", explica a fonte do BNA.

Depois de ter autorizado a venda directa das petrolíferas aos bancos comerciais, a estratégia do BNA passou a ser no sentido de reduzir a sua presença no mercado cambial, focando-se assim, na supervisão. Essa postura foi admitida pelo próprio governador do banco central, em entrevista ao Expansão.

O BNA espera com as alterações impostas ao mercado, nomeadamente com a entrada das petrolíferas na venda directa de divisas à banca, que a sua participação no mercado cambial seja limitada a situações em que necessita de comprar moeda estrangeira para reforço das Reservas Internacionais Líquidas (RIL), ou quando os movimentos da taxa de câmbio no mercado recomendarem uma intervenção coerciva.

Abril foi o período em que os bancos menos precisaram de ir aos leilões do banco central, com as divisas vendidas a contraírem em quase 80%. Ou seja, se em Abril deste ano o banco central vendeu 188,37 milhões USD, no ano passado colocou a leilão 840,10 milhões, uma evolução que a fonte da Associação Angolana de Bancos (ABANC) também atribui à alteração pelo BNA dos procedimentos de venda de divisas.

"O BNA faz alteração dos procedimentos de venda das petrolíferas, de modo que elas hoje podem directamente vender aos bancos, o que só por si faz com que o BNA não precise vender tanto como no passado", assegurou a fonte.

Oferta de divisas por origem

O boletim mensal de Maio dá ainda conta de que, além do montante que os bancos compraram dos leilões do banco central, petrolíferas e do mercado, também captaram, no referido mês, recursos em moeda estrangeira de outras fontes.

Os players do sector bancário compraram também um valor de 38,68 milhões USD ao sector diamantífero. E aos outros sectores, excluindo diamantíferas e petrolíferas, adquiriram o montante de 58,92 milhões USD.

Assim, em termos acumulados, durante os cinco primeiros meses de 2020, os bancos compraram ao mercado, de todas as suas fontes, o montante de 3,05 mil milhões USD e 2,33 mil milhões USD ao BNA, perfazendo um total de 5,38 mil milhões. Nos primeiros cinco meses de 2019 o BNA tinha vendido em leilão à banca comercial 3,7 mil milhões, resultando numa menor intervenção no mercado.

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