As opiniões dividem-se, as críticas aumentam mas a esperança mantém-se

As opiniões dividem-se, as críticas aumentam mas a esperança mantém-se
Foto: Quintiliano dos Santos

A gestão das expectativas geradas pelos primeiros discursos de João Lourenço tem sido difícil de equilibrar nos mais diversos níveis da sociedade angolana. Para muitos, as reformas estão a andar mais devagar do que prometido, para outros, quando tocam nos seus próprios interesses, são consideradas desnecessárias e inoportunas. Para muitos, está-se a fazer justiça, para outros trata-se de perseguição seleccionada. Para alguns, o País está mesmo a mudar, para outros é tudo maquilhagem para convencer os investidores internacionais.

O último ano não foi nada fácil para o Governo de João Lourenço. As condições de vida das populações pioraram, os indicadores económicos caíram, o desemprego aumentou, a dívida cresceu, o Kwanza continua a escorregar, a inflação está a subir, o equilíbrio entre chefiar o Governo e comandar o partido MPLA parece cada vez mais "estranho", e o recente caso de Edeltrudes Costa veio também colocar uma "nódoa" naquilo que era o maior argumento internacional de João Lourenço, o combate à corrupção. Aliás, o silêncio nunca foi uma boa solução para estes casos e quanto mais tempo passar sobre a tomada de uma posição por parte do Presidente, maiores serão as dúvidas e maior será o impacto na credibilidade da sua gestão.

Ninguém podia prever há meses atrás que a Covid-19 iria ter este impacto na economia mundial, arrastando os países em vias de desenvolvimento, como o nosso, para uma encruzilhada difícil de ultrapassar. Mas isso não justifica todas as críticas que muitos analistas colocam à gestão de João Lourenço. Cabe acrescentar que a forma como o executivo lidou até este momento com a epidemia foi um dos factores positivos da governação no último ano, apesar dos questionamentos sobre os montantes e a aplicação das verbas gastas neste combate. Foi também o maior investimento de sempre que se fez no sector da saúde (pessoas, equipamentos e infra-estruturas), e grande parte dele ficará para o futuro.

O facto de o Governo ter "atacado" esta crise pelo lado da receita, aumentando substancialmente os impostos, com uma política fiscal desajustada para a nossa realidade, muitas vezes com uma posição pouco dialogante da AGT, tem criado inúmeros problemas à retoma da actividade económica.

(Leia o artigo integral na edição 593 do Expansão, de sexta-feira, dia 25 de Setembro de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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