As televisões quando têm dinheiro preferem comprar produções lá fora

As televisões quando têm dinheiro preferem comprar produções lá fora
Foto: César Magalhães

O interesse pela arte de representar nasceu por acaso e entranhou-se. Mas aperfeiçoar o talento em Angola não é fácil, queixa-se José de Belém, actor que integra o elenco de uma série totalmente angolana, mas produzida na África do Sul.

Como e quando se estreou no mundo da representação?

A minha primeira representação aconteceu no início da década de 1980, ainda no ensino primário. O meu professor Henriques, na altura, resolveu mudar o sentido da aula e introduziu a dramatização da história do "Pioneiro Ngangula" e eu interpretei o polémico miúdo herói. Quando acabámos, soube que o que tínhamos acabado de fazer era teatro. Nunca tinha ouvido falar, pois tinha chegado a Luanda, proveniente do Ngonguembo (risos), há pouco tempo. Daí em diante, sentia cada vez mais necessidade de voltar a fazer aquilo. Era algo que me chamava. O gozo que senti ao representar e as palmas daquele dia faziam-me viajar.

Como foi criar o personagem Fernando Sousa da série Makongo?

Aqui há uns anos tive um chefe com as características do Fernando Sousa. O tempo de convivência levou-me a incorporar algumas características dele. Não apenas quando estava chateado, mas também nos momentos de alegria e até de humor. Só não o conheci mulherengo, como o Fernando Sousa (risos). Quando apresentei a proposta ao Walter [Cristóvão], a coisa fluiu e ele gostou.

Teve de engordar, emagrecer, cortar o cabelo?

Não fui obrigado a emagrecer nem engordar, mas o Mawete [Paciência] queria um corte de cabelo diferente do que uso. Pediu-me também para desenvolver tiques bruscos em certos diálogos.

Como reage aos telespectadores?

No início, tentei reagir de forma natural. Tenho muitas dificuldades em reagir de olhos abertos, ou de forma descarada aos elogios. Não estou acostumado a isso. Por
causa do Makongo, a dimensão do meu trabalho passou a ser avaliada por outros públicos. Acho muito lindo o que está a acontecer, mas juro que não consegui ainda encontrar um modelo de comportamento ou atitude adequada para reagir aos elogios ao meu trabalho.

(Leia o artigo integral na edição 595 do Expansão, de sexta-feira, dia 9 de Outubro de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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