O "Estado da Nação" nas palavras de João Lourenço 2017-2020

O "Estado da Nação" nas palavras de João Lourenço 2017-2020
Foto: D.R.

No passado dia 15 de Outubro ouvimos atentamente, mais uma vez, a mensagem sobre o Estado da Nação na perspectiva do Presidente João Lourenço.

O Presidente faz este discurso anual em cumprimento do artigo 118.º da Constituição, que indica que o Chefe do Executivo deve aproveitar essa ocasião para apresentar "as políticas preconizadas para a resolução dos principais assuntos, promoção do bem-estar dos angolanos e desenvolvimento do País". Sendo esta a 4ª vez que ouvimos a mensagem de João Lourenço, achamos por bem analisar, neste espaço, quais têm sido as palavras usadas pelo Presidente para passar a sua mensagem.

Para este exercício, fizemos uso de uma técnica denominada "word cloud" que procura visualizar a frequência das palavras num dado texto. Analisamos todas as mensagens sobre o Estado da Nação proferidas por João Lourenço desde 2017 usando a ferramenta "Tag Crowd", que nos permitiu identificar as 25 palavras mais frequentes nestes textos e o resultado foi bastante interessante. Como podemos ver no Quadro 1, o discurso de 2017 foi o mais inclusivo de todos, talvez por ser o primeiro e feito numa altura em que João Lourenço não tinha ainda o controlo do seu partido. Da mensagem de 2017, destacamos o uso frequente de palavras como "cidadãos", "angolanas" e "angolanos", "povo", "deputados", "Assembleia", palavras que desapareceram desta lista nos 3 anos seguintes, quando João Lourenço substituiu José Eduardo dos Santos na liderança do MPLA.

Existem 5 palavras que consistentemente fazem parte do top 10 das palavras mais usadas por João Lourenço desde 2017, i.e., "Nacional, País, Sector, Estado, Não". Dentre elas "Nacional" é a palavra mais frequente nas mensagens à nação, tendo em 2017 uma frequência de 29 e neste ano passou para 63 (um aumento de 117%). Se juntarmos a palavra "País" podemos dizer que à medida que o tempo passa, João Lourenço procura ser o mais abrangente possível sem, no entanto, usar, com a frequência inicial, palavras como "cidadãos", "angolanas" e "angolanos" ou mesmo "povo", o que pode sinalizar um certo distanciamento.

É curioso notar que João Lourenço tem usado muito a negação "não", cuja frequência este ano voltou a atingir o seu valor mais alto (28 vezes). À medida que o próximo pleito eleitoral vai-se aproximando a frequência da palavra "já" tem estado a aumentar, talvez como forma de mostrar algumas das realizações do actual Executivo.

Por exemplo, em 2017, compreensivelmente, a palavra "já" não fez parte do top 25 por ser o início do mandato. Porém, em 2018, apareceu com uma frequência de 11 e neste ano passou para 27. Tudo indica que este aumento se mantenha no discurso do próximo ano.

*Docente e investigador da UAN

(Leia o artigo integral na edição 597 do Expansão, de sexta-feira, dia 23 de Outubro de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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