"Formar-me em artes em Angola foi uma grande aventura"

"Formar-me em artes em Angola foi uma grande aventura"
Foto: D.R.

Escolher a arte para se expressar e é através dela que evoca as Kimpas Vitas do século 21. As mulheres que, no mundo contemporâneo, estão na linha da frente e desbravam caminhos, como ela, quando decidiu, no ensino superior, enveredar pelas artes plásticas.

É a primeira artista da residência Kimpa21, que terá lugar no Espaço Luanda Arte ELA. Como surgiu o convite para participar neste projecto?

Esta produção surgiu por eu ter vencido um financiamento da Fundação Gulbenkian, a ?bolsa de mobilidade". Estando nós a viver a situação actual, onde a mobilidade é "complicada", a Fundação aceitou fazer um projecto local. Foi então que partilhei a ideia com o ELA e o Laboratório de Crítica e Curadoria-LabCC, que abraçaram o desafio desde o início.

O que representa para si fazer parte do colectivo que dará vida à Kimpa Vita?

Kimpa21 é um conceito que visa, ainda que de forma muito abstracta ou utópica, fazer referência às Kimpas Vitas, que num mundo contemporâneo são mulheres da linha de frente.

O que é que os visitantes/ internautas podem ver no Kimpa21?

Como tudo, o principal é a curiosidade de ver o produto acabado de uma pesquisa divulgada durante uma residência artística. Julgo que será a maior atracção, tanto no open studio, como na manifestação de encerramento.

Como é que está a viver esta fase de confinamento por causa da pandemia da Covid-19?

No princípio, tive muitas dificuldades para me adaptar a este novo modo de vida. Devo confessar, que agora consigo lidar melhor, consegui adaptar-me. O distanciamento é, de certa forma, o novo normal.

Em que medida a pandemia alterou a sua agenda de trabalhos?

O confinamento alterou tudo, desde as exposições presenciais às online. Só esse elemento altera, para mim vários elementos. A performance, a interacção directa com o público são fundamentais. A dinâmica do trabalho tornou-se mais cansativa. A disposição tornou-se mais difícil e a parte criativa tem sofrido uma repaginação total. Tenho aprendido novas formas de motivar e estimular a minha parte criativa.

Qual era a sua regra e método de trabalho ao longo ano?

Normalmente, de forma individual, planeio por ano realizar duas performances e um número não calculado de pinturas e fotografias, um número que facilmente pode mudar. Esta é a minha planificação individual. Desta forma, deixo espaço para outros projectos que possam surgir durante o ano.

Em qual das artes se sente mais à vontade?

Sinto-me muito mais à vontade fazendo performance.

O que representa para si o corpo feminino?

Um mundo por explorar, um meio de transcendência, de reivindicação, um instrumento de revolução.

Tem algum trabalho que descreva o contexto económico de Angola?

Ainda não tenho nenhum trabalho que fale, de forma direita, sobre a nossa economia, mas penso que as coisas, os elementos, não estão desvinculados.

(Leia a entrevista integral na edição 598 do Expansão, de sexta-feira, dia 30 de Outubro de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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