Inclusão

Inclusão

A diabolização da oposição pode parecer uma boa estratégia para a manutenção do poder, pelo menos a curto prazo afasta os holofotes para longe dos próprios defeitos e fragilidades de comportamento, mas não resolve os problemas do País.

Com a agravante de aprofundar as feridas e dar espaço ao crescimento de movimentos mais radicais e que, a médio prazo, serão cada vez mais difíceis de controlar. Também afasta um grupo silencioso de quadros médios e superiores, que ocupa lugares importantes no funcionamento social e económico na Nação, e que representam em muitos sectores saber e "bem-fazer". Retira confiança a quem acredita e acentua uma divisão perigosa, "nós somos nós, eles são eles". Fracciona a sociedade entre "bons" e "maus", legitima comportamentos arrogantes dos "bons" e dá força aos que só sobrevivem com a bandeira do "nós contra todos, nós contra o Mundo".

A concentração da comunicação social pública, com o reforço de uma mensagem que não privilegia o contraditório e o debate de ideias, também não ajuda. Existem temas que não se falam, abordagens que não se permitem, "ziguezagues" disparatados que todos entendem. É igualmente perigoso quando os cidadãos deixam de acreditar nas entidades "tradicionais" da comunicação social, pois o passo seguinte é dar credibilidade ao que se lê e vê nas redes sociais, onde a realidade é completamente distorcida e onde se alimentam comportamentos intolerantes e violentos. Depois de aberta esta caixa de Pandora, ninguém pode prever o resultado final. Por isso é importante que a população acredite nas televisões, nas rádios e nos jornais, devendo as linhas editoriais ser mais inclusivas e credíveis. Por vezes, pode até parecer que se está a fazer uma grande favor ao "chefe", mas a verdade é que se está a empurrar mais cidadãos descontentes para o "mundo" das redes sociais, onde a desinformação é enorme e incontrolável.

Quem governa tem de ter uma visão inclusiva do Estado, onde todos se revejam, naturalmente dentro da proporcionalidade que resulta sempre de umas eleições e que, em última instância, representa a vontade popular. Mas não se pode anular a diferença e querer uma unanimidade de 100%, quando o voto foi de 61%. Ou seja, quem pensa de outra forma não pode ser considerado inimigo. Nem pode ser empurrado para as faixas marginais da sociedade só porque tem opiniões que vão contra os interesses pessoais de quem lidera.

Neste momento difícil por que passamos, em termos económicos, sanitários e sociais, Angola precisa de todos os que pensem o País. É a única forma de dar a "volta" a isto. E não é alimentando este ambiente de crispação, incentivando ou tolerando comportamentos incendiários, que se resolvem os problemas do desemprego, da pobreza, da saúde, da educação, da corrupção, etc. Mas quem deve dar o exemplo e o primeiro passo é o Governo e o partido da maioria. É sua responsabilidade!

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