"Na generalidade, o mercado literário nacional é um espaço hostil"

"Na generalidade, o mercado literário nacional é um espaço hostil"
Foto: César Magalhães

Ao quinto livro, a editora Elivulu criou uma campanha de crowdfunding para financiar e publicar obras com a folga necessária para garantir a sustentabilidade financeira. Uma forma de sobreviver num mercado hostil e com muitos custos, agravados pela Covid-19.

Como surgiu a ideia de fazer um financiamento colectivo?

A ideia surgiu da necessidade de uma plano financeiro autossustentável para a editora, que permita editar e publicar livros sem dificuldades.

E porque razão o fizeram com o livro de Mwene Vunongue. O que há de especial/particular?

Não há razão nenhuma especial. Simplesmente estava num estado avançado de edição. Mas importa destacar que o livro do Mwene é extraordinário pela estórias que conta, como as conta, as pessoas que nos apresenta e a sua linguagem. Por outra, dois dias depois do anúncio da campanha do livro colocámos também em campanha outro livro, da autoria do professor Chocolate Brás, uma pesquisa sobre as medidas adoptadas em Angola para a educação e ensino durante os primeiros meses da pandemia. Essa campanha continua, a precisar de apoio financeiro da comunidade de leitores.

Inspiraram-se no exemplo de outras editoras?

De um modo geral, os exemplos surgiram das inúmeras campanhas de crowdfunding que se desenvolvem em várias partes do mundo e para diversas coisas. Lemos de tudo um pouco, como, por exemplo, estratégias de sustentabilidade financeira usadas por órgãos de imprensa independentes. O que construímos e apresentamos é completamente novo, porque junta diversos aspectos de campanhas realizadas.

É uma estratégia que vão continuar?

É uma estratégia que a editora adopta para todos os livros e que acreditamos vir a tornar o nosso projecto editorial autossustentável a médio prazo. E por termos consciência que os resultados virão a médio prazo, não abdicaremos, por enquanto, da forma tradicional de cobertura financeira dos custos de edição.

Têm tido muitos patrocínios? Se não, como publicaram as obras já no mercado?

Apenas um livro foi editado com o patrocínio directo de uma empresa de consultoria, a ECMF. Os outros foram publicados com cobertura integral dos custos pela editora ou participação dos autores nos custos de impressão. Deixamos sempre claro que a participação financeira de autores apenas ocorre nos custos de impressão, que é um serviço externo à editora, porque a nossa política editorial não admite a cobrança pela edição. Acreditamos que só desta forma é possível preservar a nossa independência editorial, postura que trazemos do exercício do jornalismo.

Quantos livros tem em agenda?

Para este ano, se alguns factores externos possibilitarem, publicaremos mais um livro, além do do Mwene Vunongue. E, se for possível, então teremos alcançado o objectivo traçado para este ano, que era publicar seis livros, no mínimo, uma média de um a cada dois meses. Com imensas dificuldades agudizadas pela pandemia, mas temos resistido. Para o próximo ano não almejamos mais do que definimos para este ano.

(Leia a entrevista integral na edição 601 do Expansão, de sexta-feira, dia 20 de Novembro de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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