Resultados líquidos da banca mais do que duplicaram para 181 mil milhões Kz

Resultados líquidos da banca mais do que duplicaram  para 181 mil milhões Kz
Foto: Arquivo Expansão

Os resultados líquidos dos 23 bancos comerciais que tinham os balancetes do terceiro trimestre deste ano publicados até esta quarta-feira mais do que duplicaram face às contas de igual período no ano passado, ao registarem um crescimento de 139% para 181 mil milhões Kz, com o Banco de Fomento Angola (BFA) a reassumir a liderança dos lucros, de acordo com cálculos do Expansão.

O BFA foi o banco que mais lucrou nos primeiros nove meses do ano, registando 108 mil milhões Kz, o que representa um salto de 46% face às contas dos meses entre Janeiro e Setembro de 2019, em que a entidade bancária registou 74 mil milhões Kz.

Com este registo, o BFA destrona o Banco Angolano de Investimento (BAI) no ranking dos bancos que mais lucraram no período, já que o banco liderado por Luís Lélis registou lucros de 93,3 mil milhões Kz. O BPC voltou a fechar as contas no vermelho, mas ainda assim reduziu os seus prejuízos em 5%, ao passar de -296,4 mil milhões Kz registados no III trimestre de 2019 para -280,8 mil milhões Kz no mesmo período de 2020.

Assim, se excluirmos os resultados do BPC, os restantes 22 bancos registaram lucros acumulados na ordem dos 461,7 mil milhões de Kz, uma subida de 24% face às contas de igual período do ano passado, que fechou com 372 mil milhões Kz.

Comparativamente ao período homólogo, só dois bancos registaram prejuízos (BPC e Kwanza Invest), o que contrasta com as cinco instituições que apresentaram contas no vermelho nos nove meses de 2019. De acordo com os balancetes do III trimestre de 2020, 18 instituições bancárias melhoraram os seus resultados líquidos e só o Banco Sol, Keve, Caixa Angola BIC e BAI registaram quedas nos lucros.

Em termos operacionais, continuam a ser as apostas nos títulos públicos e nas operações cambiais, mais do que a intermediação financeira, a contribuir para o crescimento dos lucros da banca.

A justificar a maior aposta fora do tradicional modelo dos bancos (captar depósitos e conceder crédito) está, de acordo com analistas e gestores bancários, as altas taxas de juros oferecidas na compra de títulos de dívida, mas também as altas taxas e comissões cobradas no mercado cambial, que apresentam menores riscos que a concessão de crédito num país onde o malparado representava em Maio 34,50% face ao total do crédito concedido.

Para o economista Wilson Chimoco, a componente comercial dos bancos tem recuado, acompanhando a contracção da economia, mas a componente de investimento tem crescido pelo facto de os bancos deterem consideráveis investimentos em títulos públicos que, para além de terem taxas atractivas, boa parte da carteira de títulos está indexada à taxa de câmbio, o que permite aos bancos ganhos extraordinários.

(Leia o artigo integral na edição 602 do Expansão, de sexta-feira, dia 27 de Novembro de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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