Incesto e abuso, enriquecimento ilícito e pobreza em "Mulher Infinita" de Lourenço Mussango lançado esta quinta-feira

Incesto e abuso, enriquecimento ilícito e pobreza em "Mulher Infinita" de Lourenço Mussango lançado esta quinta-feira
Foto: D.R.

O enriquecimento ilícito da burguesia angolana, o incesto e o abuso de menores, a pobreza e a falta de diálogo inter-geracional são temas reais e actuais que Lourenço Mussango ficciona em "Mulher Infinita", vencedor do Prémio Literário António Jacinto 2020, que vai ser lançado amanhã, dia 10, pelas 15 horas, no Arquivo Nacional de Angola.

Em 8 contos, centrados nas matrizes do universo feminino, uma espécie de grito do autor para "despertar consciências" para determinados fenómenos sociais contemporâneos como "a alienação da liberdade sexual da mulher, a relegação desta para segundo plano, a coisificação da mulher", nas palavras do autor em conversa com o Expansão.

Inspirado por um conjunto de mulheres, Mussango procurou "compreender e interpretar" como é que as mulheres "apesar da sociedade sexista" conseguem "olhar para a humanidade de uma forma que é capaz de a transformar".

Ao conto relacionado com o enriquecimento ilícito, Lourenço Mussango intitulou-o de "Maria vai com as outras de pernas abertas", num paralelismo entre a mulher, que está prestes a dar à luz num ambiente "obscuro" na Maternidade Augusto Ngangula e a opulência de certa elite da zona de Miramar "insensível ao sofrimento".

"A morte do regresso adiado" é o título do conto que retrata a problemática do incesto e do abuso de menores, baseada num caso real, mas que "raramente vem à tona porque a mulher do abusador entende que compromete a estabilidade da família", desvenda Lourenço Mussango ao Expansão.

O vencedor do Prémio Literário António Jacinto 2020 considera que "mais do que a questão estética a escrita deve despertar consciências", neste caso para "protestar" contra estes fenómenos.

A edição de "Mulher Infinita", do Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas é uma consequência do Prémio Literário António Jacinto instituído em 1993, para para dar voz e espaço a escritores emergentes.

De acordo com o júri do prémio, presidido por Joaquim Martinho, a obra vencedora "apresenta um texto cujo pendor imaginativo e processo criativo recria, com subtileza, temas e cenários do quotidiano, apreendidos pelo autor com laivos intertextuais, tendo a mulher como o cerne da narrativa".

"Muito honrado" com a distinção, confessa o autor, atendendo ao prestígio do nome que está na génese do próprio prémio, António Jacinto, co-fundador da União dos Escritores Angolanos e a primeira pessoa indigitada para a secretaria da Cultura, hoje ministério da Cultura, Turismo e Ambiente.

O livro "Mulher Infinita" é lançado amanhã, quinta-feira, pelas 15 horas, no Arquivo Nacional de Angola, localizado no Camama (frente ao Centro de Produção da TPA), apresentado pelo escritor e crítico de arte, Adriano Mixinge.

Lourenço Mussango

Nasceu a 12 de Agosto de 1987, no município do Cazenga, em Luanda. Estudou Comunicação Social na Faculdade de Ciência Sociais da Universidade Agostinho Neto. É jornalista, foi coordenador e editor-chefe do magazine cultural Neovibe. Membro do Movimento Litteragris. É editor, poeta e prosador. Tem poemas, crónicas e contos publicados nas antologias Angola-Galiza: Sementes da Língua e Todos os tons da poesia (Brasil); revista Tunda Vala e jornal O País. Actualmente é director literário da "Asas de Papel Editora".

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