Um ano mau

Um ano mau

Esta é a nossa última edição deste 2020. Voltaremos às bancas no próximo dia 8 de Janeiro. Este ficará para sempre como o ano Covid, o ano em que o planeta aprendeu a viver com uma máscara no rosto e um frasco de álcool gel no bolso.

Desabituou-se de sair à noite e de frequentar discotecas, passou mais tempo com a família e aprendeu que, afinal, pode viver mais devagar, sem que isso signifique obrigatoriamente um drama para si e para a humanidade. No rescaldo destes 12 meses, e numa visão meramente contabilística, a China sai a ganhar e todos os outros países a perder. Talvez o Japão e a Coreia do Sul possam também ter um saldo positivo entre ganhos e perdas. Para o continente africano, apesar de tudo e tendo em conta os cenários catastróficos que se colocavam em Abril, até nem "foi mau".

Para nós, para Angola, foi um ano mau. E não há outra forma de dizer isto. Apesar do efeito pandemia, o objectivo da diversificação económica voltou a ficar adiado, todos os sectores, com excepção da energia, tiverem decréscimos no PIB real, a forma mais justa de analisar os dados disponíveis, o que deve obrigar a uma reflexão por parte dos responsáveis pelas políticas e pela sua implementação. Sem complexos e com a humildade suficiente para perceber o que é preciso mudar. As reformas fazem-se no terreno com os agentes económicos e não nas redes sociais. Com medidas concretas e não com centenas de webinars e conferências de imprensa virtuais, mede-se com dados de produção e não com minutos de propaganda nos canais televisivos. Em termos práticos, falou-se muito, fez-se pouco e, no final, tudo caiu e andámos para trás.

Em termos do maior objectivo do governo para a área social, o combate à corrupção, a mancha Edeltrudes Costa, o silêncio do Presidente face a uma situação que estava dentro da sua casa, acabou por "ofuscar" o esforço que foi feito em responsabilizar alguns que, há poucos anos, eram figuras intocáveis. Mas este continua a ser o maior trunfo da governação, apesar de algumas debilidades que lhe possam ser apontadas.

A concentração da comunicação social na esfera pública, as manifestações em Luanda, a não realização das eleições autárquicas e a estagnação da estratégia de privatizações, que podem ser justificadas pelas débeis condições económicas e pelo impacto da Covid-19, são questões que necessitam de respostas rápidas e transparentes, que não deixem dúvidas aos cidadãos. A moral da população é baixa, o sentimento para muitos é de desilusão, as pessoas estão decrescentes e cansadas, e cada vez mais distantes da classe dirigente. E isso pode tornar-se "perigoso" se a postura de quem manda não se alterar.

As últimas linhas são para desejar a todos um Feliz Natal e um bom ano de 2021, destacando os nossos colaboradores, os nossos anunciantes e os nossos leitores. Obrigado!

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