2020 - "annus horribilis" o que esperar de 2021?

2020 - "annus horribilis"  o que esperar de 2021?

As estatísticas mostram que em 2020 os angolanos continuaram a experimentar uma perda naquilo que é a sua qualidade de vida.

Para tal terá contribuído, por ex., a alta taxa de inflação (estimada em 21% pelo FMI), e o alto desemprego juvenil (56,4% para os de 15-24 anos). Tudo isso se reflecte hoje num aumento considerável da incidência da pobreza, que passou de 37% para 41%, ou seja, se entre 2008-2009 existiam 37 em cada 100 angolanos a viver abaixo da linha da pobreza hoje são 41, segundo o "Relatório de Pobreza Para Angola" do INE. Este retrocesso permite-nos compreender a razão da agitação social levada a cabo maioritariamente pelos jovens em Angola.

O ano que está prestes a terminar vai ficar nos anais da história recente como um "annus horribilis" muito por causa das medidas adoptadas pelos governos em quase todo mundo para se conter a propagação da pandemia provocada pela Covid-19. Tais medidas geraram um alto desemprego em quase todos os países. Afinal, não é por acaso que o FMI recentemente reviu em baixa, -4,4% (vs. 2,8% em 2019), as perspectivas de crescimento da economia mundial para este ano.

Apesar deste cenário bastante preocupante, neste ano foram inaugurados alguns projectos que, como explicámos neste espaço, se houver visão por parte da governação poderão contribuir para mudar as perspectivas da economia angolana. Podemos citar o caso da inauguração da linha de montagem de tractores na ZEE de Luanda e a outra de electrodomésticos, no Polo Industrial de Viana. Estes dois investimentos só poderão ser sustentáveis se, por ex., nos próximos 5 anos grande parte dos componentes usados na montagem desses equipamentos for produzido localmente. E para que surjam outros investimentos que venham a complementar essas linhas de montagem, o Estado não pode simplesmente limitar-se a "regular e coordenar" a actividade economia.

Existem constrangimentos na instalação e arranque de um negócio em Angola. Com isto, segundo os dados do INE, à medida que os anos passam diminui o número de empresas em actividade apesar de aumentar o número de empresas registadas. O acesso ao crédito é quase sempre apontado como um dos principais entraves. Se assim for, é chegado o momento de João Lourenço, enquanto presidente do MPLA, mobilizar a banca comercial, que por sinal é controlada por indivíduos ligados ao seu partido, como nos mostra um estudo de 2019 sobre a economia política do sector bancário em Angola dos professores Manuel Ennes Ferreira e Ricardo Soares de Oliveira .

* Docente e investigador da UAN

(Leia o artigo integral na edição 605 do Expansão, de sexta-feira, dia 18 de Dezembro de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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