RIL fecham ano 600 milhões USD acima das metas acordadas com FMI

RIL fecham ano 600 milhões USD acima das metas acordadas com FMI
Foto: D.R.

As Reservas Internacionais Líquidas (RIL) fecharam o ano passado 600 milhões USD acima das metas do programa de financiamento ampliado do Fundo Monetário Internacional (FMI), ao fixarem-se nos 8.689 milhões USD até 31 de Dezembro, quando os mínimos para cumprimento dos critérios de desempenho do programa apontavam a 8.085 milhões USD.

Os dados constam nas estatísticas do Banco Nacional de Angola (BNA) sobre a evolução das reservas no final do período e no relatório do FMI sobre a terceira avaliação a Angola.

Com o registo de 8.689 milhões USD no final do ano passado, é a primeira vez desde 2006 que as RIL encerram um ano abaixo da barreira dos 10 mil milhões USD, o que para analistas e economistas resulta da crise do sector petrolífero, sobretudo a partir de 2014, que fez cair as receitas em moeda estrangeira. Também o arrefecimento da actividade económica mundial no último ano devido à pandemia do novo coronavírus tem a sua "quota" parte de "culpa" já que reduziu as exportações de petróleo e, por arrasto, a entrada de divisas no país, pressionando as reservas líquidas.

Só num ano, as RIL deslizaram 23%, saindo de 11.332 milhões USD em Janeiro do ano passado para 8.689 milhões USD a 31 de Dezembro.

De acordo com o relatório da terceira avaliação do FMI ao cumprimento do programa em Angola, é expectável que as RIL continuem a cair em 2021. Isto porque os valores mínimos exigidos no relatório vão caindo dos 8.085 milhões USD propostos para Dezembro de 2020, para 8.001 em Março de 2021 e 7.916 milhões em Junho.

No mandato de João Lourenço, iniciado em Setembro de 2017, o valor da moeda nacional face às principais moedas estrangeiras tem acompanhado a tendência de queda das RIL. Se em Setembro de 2017 um dólar valia 165,92 Kz, hoje vale 649,60 Kz, representando uma depreciação de 74,5%, desvalorização que resulta, essencialmente, da reforma da política cambial iniciada em 2018 que visava a flexibilização da moeda.

Esta reforma cambial foi apontada como necessária para conter a queda das reservas internacionais que servem para garantir as importações. Só que isso acabou por não acontecer. " A depreciação não foi suficiente para cobrir as necessidades de financiamento em moeda externa do país (Défice na conta corrente)", admite o economista Wilson Chimoco ao Expansão.

O próprio banco central também tem defendido a tese de que a queda das RIL está associada à redução das receitas com exportações, sobretudo o petróleo, a principal commodity de exportação de Angola e que representa 94% das vendas do país para o exterior. Acresce que em 2020 esta matéria-prima sofreu uma queda dos preços, o que aliado à quebra de produção em Angola (imposto pela OPEP mas também devido ao declínio da produção) contribuiu para reduzir as receitas.

(Leia o artigo integral na edição 606 do Expansão, de sexta-feira, dia 8 de Janeiro de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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