"Há pouca apetência para investir em cultura, fora a música e a dança"

"Há pouca apetência para investir  em cultura, fora a música e a dança"
Foto: D.R.

Como foi gerir a galeria ELA - Espaço Luanda Arte em 2020? Acredito que 2020 colocou os gestores e a sua forma de gerir à prova, em Angola e um pouco por todo o mundo. Ninguém ficou indiferente e, infelizmente, o ano gerou muito caos económico, social e cultural. O ELA não é só uma galeria, é um espaço de projectos, que tem uma equipa pequena e ágil, e que acumulou mais de 11 anos de experiência em Angola, assim como em África e além fronteiras. Com essa bagagem, temos sabido atravessar a tempestade.

Fizeram muitas alterações à agenda?

Desde Março que o ELA-Espaço Luanda Arte se encontra fechado, o prédio onde nos inserimos fechou. E, a partir daí, toda a nossa agenda de exposições para 2020, assim como todas as residências do Angola AIR foram canceladas. Um dos pontos altos do ano foram os workshops online que desenvolvemos com a Unitel em 12 lares para centenas de crianças em Luanda. Entre Junho e Dezembro, foram 14 manhãs relevando sempre a passagem do conhecimento, diálogo, a troca de ideias e experiências, os jogos de expressão oral e visual, reforçando a aprendizagem, através da relevância da exposição e da crítica construtiva em torno da arte e cultura nacional.

Tiveram mais oportunidades de participar em exposições?

Acredito que o fecho físico do espaço foi colmatado pela presença nacional e internacional online. De Abril a Dezembro, o ELA organizou 8 exposições individuais e 2 colectivas. Ao todo foram 10 exposições online que foram muito bem recebidas tanto nacional, como internacionalmente, e com boas vendas.

Como é gerir uma galeria de artes em Angola?

Gerir uma galeria de artes em Angola ou em qualquer lado do mundo exige foco estratégico e visão identitária, arregaçar as mangas porque acreditamos que a nossa sorte somos nós a fazer. Aproveito para dar a Angola, a terra que me acolheu e que é também o país dos meus filhos, um enorme parabéns pelo Dia da Cultura Nacional.

E os artistas em si, devido a ausência de trabalhos?

O ELA respeita o facto de cada artista ter um ritmo de inspiração e criação diferente do outro. Alguns artistas que representamos e/ou com quem trabalhamos sentiram-se inspirados durante a pandemia, outros menos. O importante é todos se sentirem apoiados pelo ELA, tanto material como psicologicamente.

(Leia o artigo integral na edição 606 do Expansão, de sexta-feira, dia 8 de Janeiro de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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