Director Carlos Rosado de Carvalho

Porque a saúde do País começa na formação

Porque a saúde do País começa na formação

O PCA da Clínica Multiperfil explica a estratégia do Centro de Formação da unidade que dirige na promoção da formação profissional no sector da saúde: Em vez da prática docente tradicional que concebe o aluno como receptor de conteúdos prontos e acabados, a ideia é que o estudante se sinta desafiado a explorar e aprofundar o seu conhecimento, a questioná-lo e a reconstruí-lo.

Einstein afirmou que "o ensino deve ser de modo a fazer sentir aos alunos que aquilo que se lhes ensina é uma dádiva preciosa e não uma amarga obrigação". A formação, mais do que uma formalidade, é um pilar de desenvolvimento social.

A saúde é, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, um bem inalienável. Consequentemente, a formação na área da saúde é o primeiro e o mais importante passo que uma sociedade dá nesta área.

Gerir o conhecimento em prol do bem-estar de todos é a responsabilidade consciente de que dar o conhecimento, dar a prática, transmitir a sensibilidade através dos docentes, é uma forma de promover a qualidade e excelência seja do ensino, seja na própria prestação dos cuidados de saúde.

Formar é gerar espaços de reflexão que incentivam o debate de questões educativas que surgem no desempenho da actividade médica e paramédica, é promover a partilha de experiências e boas práticas, é contribuir para a aquisição e desenvolvimento de competências pedagógicas, é contribuir para o desenvolvimento do profissionalismo, é promover a aprendizagem ao longo da vida destes profissionais.

Discutir os desafios e os constrangimentos da aquisição de competências é saudável e representa sempre um momento único de saber.

Conhecer as principais tipologias de perguntas que levantem a dúvida geradora de conhecimento é um objectivo de quem se dedica à área da formação. Também a aplicação de estratégias de avaliação da qualidade dos testes, colocar à disposição dos discentes teatros reais com que se irão deparar nos locais de trabalho é outro dos pilares que norteiam a transmissão prática de conhecimento.

Igualmente decisivo é reflectir sobre a importância de avaliar e identificar as competências de comunicação clínica em contextos de saúde, aplicando estratégias eficazes de apresentações em público ou para aquele público específico.

Da mesma forma, é fundamental sensibilizar para a importância da aquisição de conhecimento coma estratégia global de diferenciação competitiva geradora de valor para as instituições, pessoas e organizações em geral, desenvolver a capacidade de tomada de decisão com base na solidez das competências adquiridas, tendo em vista assegurar uma eficaz gestão das relações com os seus principais públicos, de acordo com um novo paradigma que coloca o paciente no centro da gestão das interacções em saúde.

Tudo isto, sem esquecer as competências profissionais e pedagógicas que permitam aos docentes investir na qualidade do ensino e aos discentes a cabal aquisição do conhecimento programático proposto para o curso.

Neste contexto, a Clínica Multiperfil inaugurou em 2012 uma infra-estrutura pioneira em Angola, que inclui três laboratórios de simulação de prática realística, um laboratório de informática com 40 computadores, 10 salas de aulas, uma biblioteca, um laboratório de simulação de análises clínicas e um consultório clínico de simulação, e promove a investigação científica e a qualificação das competências dos profissionais de saúde.

Com capacidade para 454 estudantes, o Centro de Formação de Saúde Multiperfil já prestou formação pós-média e pós-graduada a 70 técnicos médios de enfermagem e 18 enfermeiros licenciados, bem como o internato médico em especialidades como sejam medicina geral e familiar, anestesiologia, nefrologia, patologia clínica e medicina intensiva.

A competência, entre outras, é de promover a formação profissional no sector da saúde, nomeadamente assegurando o enquadramento normativo e regulamentar da formação no sector da saúde definindo perfis de formação, em articulação com outros serviços e organismos do Ministério da Saúde, bem como com outros serviços e organismos da administração pública com competências neste domínio.

Para identificar as necessidades e prioridades de formação do Plano Nacional de Formação de Quadros e Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário 2012-2025, em articulação com outros serviços e organismos, é necessário ter em vista a contribuição para a harmonização dos quadros de referência formativos, disponibilizando referenciais de competência e de formação inovadores, com carácter prospectivo e numa abordagem integrada da prestação de cuidados (cuidados primários/diferenciados e continuados); reforço e actualização de competências dos profissionais de saúde em áreas consideradas chave/prioritárias; focalização da formação contínua nos resultados desejados.

Desenvolver um conjunto de instrumentos de orientação e de apoio à formação contínua, destinados aos operadores que dirigem formação aos profissionais com intervenção no sector da saúde, sendo disso exemplo os referenciais recentemente consolidados no âmbito dos cursos realizados.

A fase da concepção dos instrumentos acima referidos procura garantir o envolvimento de um número significativo de interlocutores representantes do sector da saúde, de forma a garantir a adequação dos resultados dos cursos às necessidades identificadas pelos profissionais dos domínios da saúde analisados.

Será de referir que a experiência profissional e a partilha de conhecimentos efectuada pelos profissionais muito contribuem para os resultados alcançados. Os instrumentos de orientação e de apoio à formação contínua em referência, organizados por domínios da saúde, orientandos para a intervenção dos operadores de formação tendo em conta as prioridades formativas sinalizadas no âmbito dos domínios da saúde, têm como resultado potenciar a continuidade, através da partilha de reflexões e experiências decorrentes da sua operacionalização.

O processo educativo que se vive muitas vezes tem-se sustentado numa prática docente tradicional, concebendo o aluno como receptor de conteúdos prontos e acabados. Esta prática dificulta o autêntico pensar. Em contrapartida, o processo educativo que ultrapassa os limites da mera reprodução do saber fundamenta-se na criatividade e estimula a acção-reflexão, formando assim um profissional apto a relacionar as competências adquiridas e reflectindo sobre as mesmas, expandindo assim a sua capacidade de ir mais além.

O estudante deve sentir-se desafiado a explorar e aprofundar o seu conhecimento, a questioná-lo e a reconstruí- lo. A pesquisa como princípio pedagógico é uma das formas para que se concretize o tal pressuposto. Referencial para a formação do profissional de saúde deste século é identificar exigências que se colocam para um profissional da área de saúde e analisar a pesquisa como princípio pedagógico na formação e construção do conhecimento destes mesmos profissionais.

Os eventos científicos também são importantes para consolidar os resultados de pesquisa de várias partes do mundo. Favorecem a aproximação de novos grupos, estimulando a construção conjunta de projectos e ampliando as oportunidades de formação e qualificação de profissionais.

Todas estas actividades em conjunto têm impactos directos na formação de pessoal e no aumento da pesquisa e inovação, além das contribuições da e para a população em geral. Os eventos internacionais contribuem também para aumentar a produtividade científica dos vários grupos e dá maior visibilidade no cenário internacional.

Colocar alunos e pesquisadores em contacto com os principais avanços em ciência, tecnologia e inovação em Ciências da Saúde, como forma de estimular a cooperação internacional e a ampliação das interacções académicas voltadas para formação de pessoal, para que alunos e professores e pesquisadores sejam multiplicadores de informação e geradores de novos conhecimentos, abordagens e tendências de pesquisa nas áreas de abrangência das Ciências da Saúde.

A formação de recursos humanos altamente qualificados nas áreas de abrangência das Ciências da Saúde, em função da emergência de proporcionar à comunidade científica a actualização necessária e estimular as reflexões sobre os principais avanços nas pesquisas clínicas. A formação, desta forma, assume particular importância, primordial até, no bem-estar directo das populações e no desenho do profissional que actua na saúde.

O saber não ocupa lugar e não se encerra num tempo, é antes o início de uma longa viagem que nos leva pela vida: aprender sempre!

 

 

 

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