Director Carlos Rosado de Carvalho

Desistência do pedido de assistência financeira ao FMI fez disparar juros dos eurobonds

Desistência do pedido de assistência financeira ao FMI fez disparar juros dos eurobonds

O recuo de Angola no pedido de assistência financeira ao Fundo Monetário Internacional (FMI), revelado no dia 30 de Junho, fez "disparar" as taxas de rendimento dos eurobonds angolanos e provocou críticas das agências de rating, obrigando Armando Manuel, na foto com Max Alier, representante do FMI em Luanda, a realizar um périplo internacional para explicar a política económica Angolana.

Os juros dos títulos da dívida soberana angolana emitidos em USD e cotados na bolsa da Irlanda subiram mais de um ponto percentual (pp), de 9,64%, no dia do anúncio, para 10,67%, no dia 6 de Julho. No final da semana passada, início desta semana, as taxas aliviaram e, na terça-feira, 12 de Julho, não ultrapassavam os 10,09%, isto é 0,45 pp acima do dia em que se soube que Angola desistia de negociar um programa com o FMI.

As taxas de rendimento, yields em inglês, são uma referência das taxas de juro que o mercado exige para novas emissões, isto é, dos custos de financiamento de um país nos mercados financeiros. Em 4 de Novembro de 2015, na primeira ida aos merca- dos financeiros internacionais, o Tesouro angolano colocou 1,5 mil milhões USD de obrigações soberanas, denominadas euro- bonds, com um prazo de 10 anos à taxa de 9,5%. Se Angola quisesse fazer uma nova emissão de obrigações soberanas com as mesmas características dos eurobonds na última terça-feira, 12 de Julho, teria de pagar 10,09% em vez dos dos 9,5% conseguidos em Novembro.

O "chumbo" à desistência de Angola do FMI não se resumiu aos mercados, estendeu-se às agências de rating, nomeadamente à Moody"s e à Fitch que fizeram declarações criticando a decisão.

A mensagem dos mercados e das agências parece ter sido captada pelo ministro das Finanças, Armando Manuel, que, segundo o Expansão apurou, iniciou, sextafeira última, um périplo internacional para explicar aos investidores a política económica angolana.

(Leia artigo na íntegra na edição 379 do Expansão, de 15 de Julho de 2016, em papel ou versão digital)

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