Director Carlos Rosado de Carvalho

São necessários 650 mil milhões USD anuais para garantir água para todos

São necessários 650 mil milhões USD anuais para garantir água para todos

Um terço das pessoas que não têm acesso a água potável vivem no continente africano. Metade da população de Angola, Papua-Nova Guiné, Moçambique, Guiné Equatorial, RDC, Madagáscar e Afeganistão sofrem do mesmo problema.

É necessário um investimento anual de cerca de 650 mil milhões USD, até 2030, para garantir a concretização das infra-estruturas necessárias para garantir o acesso a água a toda a população mundial, de acordo com o Conselho Mundial da Água.

Mais de 10% da população não tem acesso a água potável, parte que atinge cerca de metade das pessoas em Angola, Moçambique ou Guiné Equatorial, problema relacionado com 3,5 milhões de mortes.

A organização WWC, na sigla em inglês, que junta mais de 300 entidades de 50 países, refere que mais de 923 milhões de pessoas não têm acesso a água potável, das quais 319 milhões na África subsaariana (32% da população da região), 554 milhões na Ásia (12,5%) e 50 milhões na América do Sul (8%), situação responsável pela morte de 4.500 crianças por dia.

"Entre estas regiões, a Papua-Nova Guiné tem a menor disponibilidade, com apenas 40% da população a ter acesso a água potável", seguindo-se "a Guiné Equatorial com 48%, Angola com 49%, Chade e Moçambique com 51%, a República Democrática do Congo e Madagáscar com 52% e Afeganistão com 55%", refere um comunicado divulgado pelo WWC.

Aproveitando o Dia Mundial da Água, que se assinalou na quarta-feira, o WWC alertou todos os governos para a urgência de resolver este problema e realçou que "o custo total da insegurança da água para a economia global é avaliado em 500 mil milhões USD".

Mas, se for incluído o impacto ambiental, aquele valor pode aumentar para 1% do produto interno bruto (PIB) global.

Além do custo económico, a falta de água potável está relacionada a doenças que causam 3,5 milhões de mortes por ano, mais do que aquelas causadas por acidentes de viação e pela SIDA, em conjunto, segundo as contas da organização.

Pode também contribuir para a fome, guerras e migrações "irregulares e descontroladas", havendo uma "absoluta necessidade" de aumentar a segurança da água para ultrapassar os desafios colocados pelas alterações climáticas e pelas efeitos da actividade humana.

Reafirma que o acesso das pessoas ao saneamento e a água potável "são prioridades fundamentais para os governos locais e regionais", a fim de alcançar um dos objectivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, e só pode ser alcançado "com um bom governo local, gestão sustentável dos recursos naturais e urbanização eficaz". Assim, "encoraja os governos e os cidadãos a aumentar a segurança hídrica nos seus países, assim como prestar auxílio às nações com maiores dificuldades, nomeadamente na África subsaariana e Ásia".

Um dos objectivos da ONU é que todas as pessoas tenham acesso a água potável e saneamento até 2030.

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