Director Carlos Rosado de Carvalho

Triângulo Equilátero

Triângulo Equilátero

Não existem dúvidas, de que no desenvolvimento local existe uma sementeira de oportunidades. É preciso cuidar delas e saber aproveitá-las.

É da responsabilização de todos os intervenientes na sociedade, Governo e entidades, empresas e população, criarem alinhamento, sinergias e complementaridade de competências, que garantam o adequado aproveitamento dos meios, tecnologias e potencial humano de cada zona.

De igual modo, é em âmbito local, que de forma imediata se encontram soluções e identificam as potencialidades, que permitem o desenvolvimento social e económico.

Falo da resposta adequada às necessidades sociais, e do aproveitamento das potencialidades e habilidades locais existentes, facilitadas através de uma maior proximidade entre as comunidades.

A falta de informação e comunicação, geram muitas vezes distanciamento, desmotivação e negativismos desnecessários.

É, por isso, consensual que, para haver desenvolvimento local integrado e sustentável, as regiões devem potenciar interacções que envolvam os verdadeiros responsáveis por esse desenvolvimento e, logicamente, procurem os aliados adicionais necessários para a concretização dos seus objectivos.

Quando avaliamos as melhores práticas e procuramos um conceito de desenvolvimento local, encontramos a sua orientação em três linhas de força, reunidas num triângulo que deve ser equilátero, onde convergem a competência e qualidade da massa humana, a dedicação dos Governos Provinciais e suas Equipas, os principais responsáveis por levar a estratégia à acção, procurando os meios necessários às Populações e a sua adesão aos desafios, tantas vezes difícil por baixa qualidade de vida e desmotivação e os Empresários e organizações locais, dinamizadores da produtividade e da empregabilidade.

Este conceito intermotivacional cria um contexto no qual se evidencia a personalidade própria de cada zona. O desenvolvimento local integrado e sustentável abrange, por isso, o desenvolvimento económico, social, cultural, político e institucional, bem como a organização físico-territorial e a gestão ambiental.

Neste contexto, constatamos, já hoje, a participação no desenvolvimento sustentado do futuro de Angola de líderes políticos, religiosos, cívicos, empresariais e de associações culturais. Todos são poucos.

Mas o crescimento, para que seja sustentado, vive à volta de ciclos, integrados num plano estratégico e operacional, que se orienta por Dinâmicas de Valorização do Potencial de Zona.

¦ Dinâmica provincial revelada nas grandes linhas de força e orientação dos Governos Provinciais, que deriva das grandes linhas de orientação Governamental, que devidamente ajustadas ao potencial disponível de cada zona, permitem gerar crescimento;

¦ Plano Estratégico Regional integrado no Plano de Desenvolvimento Nacional, com política pública consequente, contem indicadores e orientações, com necessidade de operacionalização;

¦ Participação do Poder Local como dinamizador e regulador do desenvolvimento, deixando espaço e facilitando a vida à iniciativa privada;

¦ Estabelecimento de parcerias Estado / Mercado /Sociedade Civil;

Os resultados económicos são a consequência da passagem do plano estratégico ao plano operacional, gerando a necessidade de adesão de empresários, investidores e populações ao crescimento, à produtividade e à qualidade de vida, sendo, para isso, essencial:

1. A criação coerente de Agentes de Desenvolvimento - que aproveitam o potencial da zona, dando-lhe valor acrescentado;

2. A promoção da Diversidade Económica e a complementaridade de empreendimentos - que garante o desenvolvimento multissectorial;

3. A existência de uma política de dinamização do investimento, pelo intercâmbio de tecnologias e iniciativas empresariais;

A dinâmica social deverá garantir a criação de condições para a qualidade mínima de vida, permitindo agilizar a competitividade, através da disponibilidade das populações, bem como da sua motivação pela visão positiva de futuro considerando:

1. O suprimento das necessidades primárias;

2. A dinamização de novas formas de vida, apoiadas na adequada formação e orientação;

3. O despertar de novas vocações / competências / desafios, através de formação vocacional;

No que respeita à dinâmica de comunicação, um dos principais factores críticos para o desenvolvimento local, para além da falta de meios, é algum distanciamento entre o poder local e as populações, que carecem de informação, comunicação eficiente e estima. Considera-se assim:

1. A definição e divulgação de indicadores locais de desenvolvimento, através da criação de uma imagem dinâmica e de progresso;

2. A implementação de estratégia de comunicação e Informação / envolvimento e adesão das populações, baseada numa política de verdade e valorização;

3. A implementação de sistemas de monitorização e controle do desenvolvimento, com eliminação de "desperdícios";

Os estudos que vêm sendo efectuados, sobre a posição das populações e empresas em relação ao desenvolvimento local, provam que, na maioria dos casos, existe algum distanciamento nos objectivos de crescimento, pois as iniciativas em muitos casos são isoladas, o que retira coresponsabilização.

Por um lado, e como é lógico, as populações pretendem a dinamização da habitação, da saúde e da educação, como forma de ganho de qualidade de vida, por outro, a realidade económica exige a criação de infra estruturas, condições de investimento, produtividade.

Sabemos que quase todos os pontos evidenciados são comuns, no entanto, as prioridades e consciencialização sobre as dificuldades para os atingir divergem.

É nesta conciliação que deve estar um dos papéis principais dos Governos Provinciais.

Mais do que aceitar exigências, é necessário pedir participação, fazendo perceber que o crescimento depende de todos.

Basta, por exemplo, fazer um empresário tomar consciência de que a formação é um elemento chave do desenvolvimento das populações, para logo esta mentalidade produzir efeitos na dinâmica global.

¦ Utilização de boas práticas, como exemplo e como efeito multiplicador de vivências;

¦ Utilização adequada dos recursos humanos existentes, através de formação para o desenvolvimento de competências;

¦ Monitorizar e controlar, de forma séria, todas as iniciativas, sejam elas empresariais ou governamentais;

¦ Garantir a adesão à mudança e responsabilização de todos os intervenientes com competências para a realização de cada projecto;

¦ Garantir uma comunicação eficaz;

¦ Garantir a empregabilidade;

¦ Gerar uma dinâmica de crescimento permanente;

¦ Adequação de soluções aos problemas, através da orientação pelas melhores práticas.

É, por isso, importante fazer as populações sair da zona de inércia para a zona de desafio, tomando consciência que só é possível melhorar acreditando no sonho e transformando-o em realidade, sem preguiça nem oposição.

Numa análise rápida aos pontos fortes e fracos, que podem existir no desenvolvimento local, encontramos quatro pontos comuns:

¦ Pontos fortes: encontramos a localização - praticamente todas as Províncias têm uma localização com potencial de desenvolvimento e bons recursos naturais, a competência dos seus Governadores, revelada na sua dedicação, conhecimento da realidade local e disponibilidade para o esforço e melhoria e a adesão das populações locais;

¦ Pontos fracos: destaca-se, a falta de investidores, a dificuldade nas legalidades e a falta de formação dos recursos humanos, bem como as deficiências de energia, saneamento e água.

As vantagens competitivas de cada zona e o seu potencial devem ser transformadas em oportunidades.

Destacam-se, assim, como oportunidades o adequado aproveitamento da riqueza local, a facilitação de acesso aos investidores que aportem tecnologia e conhecimento, utilizando e valorizando o capital humano, a diversificação da produção e da oferta, garantindo competitividade e autonomia económica e a criação de condições de vida às populações.

¦ Competência da Governação, agilizadora de iniciativas realistas e produtivas;

¦ Empresas e investidores, garante do investimento;

¦ Adesão das populações, pela constatação da melhoria da qualidade de vida;

Um facto evidente, é necessário sair das rotinas negativas e actuar através da "Teoria do Valor Acrescentado", em que cada um é uma mais valia efectiva.

São evidentes as vantagens do desenvolvimento local.

Tudo o que se faz em âmbito local, desde que integrado em necessidades reais, por mais pequeno que seja, causa efeitos positivos.

Quando avaliamos os principais projectos locais, constatamos que os mesmos têm sempre impacto directo na vida das população e na economia, o segredo está, no entanto, na definição das prioridades, avaliando o seu impacto real na dinâmica de vida e produtividade.

É já flagrante hoje o destaque de algumas Províncias em relação a outras, diga-se de verdade que a estratégia de comunicação e promoção é um factor importante neste ganho de notoriedade.

Um plano de desenvolvimento eficiente deve considerar prioritária a captação de investimento, facilitando esse acesso.

As vantagens são evidentes, desde a habituação a um ciclo de crescimento, passando pelo ganho de credibilidade e confiança dos aliados do desenvolvimento, e mesmo pelo crescimento populacional qualitativo, permitindo criar uma espiral motivacional positiva.

Deixaríamos, por isso, um desafio aos Governantes e Gestores, que continuem a acreditar e a utilizar as suas competências de forma saudável e entusiástica, mas que acima de tudo integrem as suas acções num "Ciclo de Desenvolvimento Permanente", ganhando o "Vício do Crescimento Sustentado", pois só ele garante um futuro coerente e consolidado.

E, já agora, diria que o sucesso está na capacidade de transformar o "Triângulo de Dinâmica Local, num triângulo equilátero, onde cada um dos lados tem a mesma força e agilidade e em que Governos Provinciais, Empresas e População são os verdadeiros actores do crescimento.

*Consultor

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