Director Carlos Rosado de Carvalho

"Vamos estudar a privatização de empresas estatais que são pesos mortos"

"Vamos estudar a privatização de empresas estatais que são pesos mortos"

Numa entrevista à EFE, em Madrid, o Presidente eleito repete os chavões económicos de Eduardo dos Santos mas aponta a novos caminhos, afirmando-se como reformador. Diz que a aposta no investimento privado é a solução para os principais problemas do País.

José Eduardo Dos Santos deixa o cargo depois de 38 anos no poder. Como é que encara o desafio de ser o novo Presidente de Angola?
Assumo o cargo com grande confiança. Apesar das dificuldades, os resultados eleitorais foram bons e o MPLA conseguiu um grande apoio popular, e isso encoraja-me. Existem também grandes dificuldades. A situação financeira é menos boa devido à queda dos preços do petróleo, mas Angola é um País em paz, um País onde os cidadãos se reconciliaram e esta é uma vantagem, em comparação com os 38 anos em que o meu antecessor era o Chefe de Estado, pois durante pelo menos 27 anos governou numa situação de guerra. Felizmente, encaro esta nova fase de paz com ânimo, vamos concentrar-nos principalmente no desenvolvimento económico e social do País.


Tendo em conta que o petróleo representa 70% das receitas do Estado e 95% das exportações, qual é o seu plano para recuperar a economia?
Convidar investidores estrangeiros para Angola, que está em paz, o que é uma das bases e preceitos para atrair investimento, e vamos trabalhar para criar um bom ambiente de negócios. Por exemplo, vamos modificar a nossa política de vistos, porque até agora tem sido um impedimento para a chegada de investimentos ao País. Além disso, vamos combater a corrupção em todos os seus aspectos e contra o nepotismo. Quando ganharmos essas batalhas, pois vamos ganhá-las, será fácil captar investimento para o País.


E questões como a diversificação e a privatização? Quais são os sectores em que vai apostar?
A diversificação da economia é fundamental e indispensável para sobreviver, é imperativo abrir a nossa economia e esquecer um pouco o petróleo. O nosso País, Angola, pode sobreviver, tem recursos além do petróleo. Vamos criar incentivos ao agronegócio, Angola tem uma grande extensão, muitas terras cultiváveis, muita água, um clima muito favorável porque não tem inverno e pode ser uma grande potência agrícola, como o Brasil. Queremos diversificar o nosso sector industrial, as indústrias de transformação e extracção. Angola tem muitos minerais, alguns importantes como diamantes, ouro ou ferro. Até agora, apenas o petróleo e os diamantes eram explorados. Também temos a pesca, Angola tem uma longa costa e, em tempos, fomos um grande produtor de peixe e marisco. O mar, podemos gerar recursos para alimentar a nossa população e para exportação. E eu quero insistir no turismo, pois Angola tem uma grande costa. Queremos trabalhar, não só o turismo de praia, mas também o turismo no interior do País. Queremos investidores para criarem infra-estruturas, o que nos permitirá gerar postos de trabalho. Se diversificarmos a economia nestes quatro sectores, podemos resolver um dos principais problemas de Angola que é o desemprego, especialmente dos jovens.


(Leia o artigo na integra na edição 437 do Expansão, de sexta-feira 01 de Setembro de 2017, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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