Director Carlos Rosado de Carvalho

Atenção Chefe JLo, o "kumbu" continua a sair

Atenção Chefe JLo, o "kumbu" continua a sair

A economia angolana registou mesmo uma recessão em 2016. A má notícia foi confirmada esta semana pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) que, nas chamadas projecções de Outono, antecipa um crescimento negativo do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,7% no ano passado face a 2015. Ainda assim, melhor do que os 3,6% negativos avançados em Abril pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), numa nota "congelada" pelo Governo.
Os economistas consideram geralmente dois tipos de recessão: recessão anual, se o Produto Interno Bruto de um país diminui, em termos reais, entre dois anos consecutivos; e recessão técnica, se o recuo do PIB é entre dois trimestres consecutivos.
Em qualquer dos casos existe uma diminuição do PIB, seja anual, seja trimestral. Mas há economistas que consideram que uma economia pode estar em recessão mesmo que o seu PIB cresça: basta que o crescimento do PIB seja inferior à taxa de crescimento da população.
Se o PIB real de um país cresce menos do que a população, quer dizer que o PIB por habitante real diminui. Neste caso, a recessão quer dizer empobrecimento.
De acordo com este critério Angola estará em recessão, isto é os angolanos vão empobrecer em termos reais, durante sete anos consecutivos, entre 2016 e 2022, período em o PIB crescerá à volta de 1,5%, sensivelmente metade da taxa de crescimento da população, estimada em 3%.
Enquanto em 2016 o País enfrentava uma recessão qualquer que seja o critério, os agentes económicos angolanos investiam 2.747,8 milhões USD em empresas no estrangeiro. Os quase 3 mil milhões investidos no ano passado elevaram para 31,3 mil milhões USD os valores que os angolanos têm aplicados no estrangeiro - quase 24 mil milhões USD de investimentos em empresas e 7,4 mil milhões USD em títulos.
Em Angola há controlo de capitais. O kwanza não é convertível. Sendo os rendimentos obtidos pelos angolanos em kwanzas, investimentos no estrangeiro implicam a compra de divisas ao Banco Nacional de Angola. Como é que o banco central vende milhares de milhões de USD para comprar empresas, casas e títulos no estrangeiro, quando escasseiam as divisas para comida, medicamentos ou matérias-primas para a produção nacional? O Expansão perguntou ao BNA, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição. Presidente JLo, pergunte o Sr. Pode ser que lhe respondam...

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