Director Carlos Rosado de Carvalho

"O Estado não actualiza os câmbios. Não paga, não confirma as dívidas"

"O Estado não actualiza os câmbios. Não paga, não confirma as dívidas"
Foto: César Magalhães

O presidente da Associação de Empresas de Comércio e Distribuição avança que a crise teve impacto no sector, embora algumas áreas de negócio estejam a crescer. Lamenta as dificuldades na relação com o Estado, que nem sempre é cumpridor.

O país atravessa uma crise económica já há demasiado tempo, com impacto em todos os sectores de actividade. Qual é a situação actual do sector da distribuição no País?
O sector de distribuição está estável. Tem crescido, cada vez menos, como se verificou no passado. O mercado formal, principalmente o dos alimentos, é o único que tem alguma estabilidade face à alocação de divisas. Como sabe, não é só o sector de distribuição alimentar, mas também o farmacêutico, que são estáveis e que têm alocação directa [de divisas].


Isso significa que as outras áreas têm sido bastante afectadas...
Nós temos outros sectores que são importantes para uma sociedade normal, mas que não têm alocação [de divisas], que é o sector dos consumíveis, que abrange, por exemplo, material de escritório e escolar. A distribuição, que é um sector que tem estado a crescer menos, nesta altura, depois do surgimento da crise, deu um passo importante, porque, a nível do País, nós encontramos vários estabelecimentos ligados à distribuição. O problema é que têm menos diversidade face à crise de divisas e porque o País não tem estado a produzir.


Mas qual é o nível de impacto da crise no sector da distribuição?
Sabe que os angolanos comem do barco. E comer do barco quer dizer que sobrevivemos à base da importação. A alimentação é proveniente da importação e houve desvalorização da moeda, mas não houve reajustamento salarial. As pessoas, nesta altura, têm menos poder de compra. Ao ter menos poder de compra, há uma redução nas vendas e há também menos resultados. É, por isso, que há abrandamento no crescimento do sector da distribuição, assim como há muito desemprego nesta altura.

(Leia o artigo na integra na edição 462 do Expansão, de sexta-feira 02 de Março de 2018, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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