Director Carlos Rosado de Carvalho

Depois da acumulação primitiva pode vir... acumulação por 'expropriação'!

Depois da acumulação primitiva pode vir... acumulação por 'expropriação'!
Foto: César Magalhães

Segundo o jornal Expansão de 2 de Março, o Executivo poderá, já em Abril, ter as condições criadas para o redimensionamento do sector empresarial público. O processo de alienação deverá ocorrer através da bolsa de acções.

Apesar do muito que se possa ganhar com um processo de privatização, em termos de eficiência e produtividade, é preciso termos em conta que um processo de privatização de um bem público pode também gerar o que o pesquisador David Harvey denomina de "accumulation by dispossession" (1) (trad. livre: acumulação por expropriação).
Na sua obra O Capital, capítulo 27, Karl Marx apresenta-nos uma interpretação do processo histórico ocorrido na INGLATERRA que ditou uma mudança no sistema de produção e acumulação de capital (i.e. riqueza) vigente. Marx explica-nos como o parlamento Inglês, através o "Acts for enclosures of Commons" (trad. autorização para vedação dos espaços públicos) ditou, simultaneamente uma mudança no acesso à terra para agricultura e produziu uma nova classe de "agricultores sem terra". Estes viram-se obrigados a procurar outras formas de subsistência, nomeadamente emprego na então indústria nascente. De facto, na óptica de Marx, foi graças à existência desta classe de "agricultores sem terra", traduzida em força de trabalho excedentária, que permitiu a ascendência do capital e, como tal, a criação do sistema de produção capitalista virado para o mercado.

*Fernandes Wanda escreve quinzenalmente

(Leia o artigo na integra na edição 466 do Expansão, de sexta-feira 29 de Março de 2018, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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