Director Carlos Rosado de Carvalho

"Angola deve implementar um imposto sobre propriedade de terras"

"Angola deve implementar um imposto sobre propriedade de terras"
Foto: Lídia Onde

O economista considera que é fundamental Angola alargar a sua base de captação de receitas fiscais criando novos impostos. Em entrevista ao Expansão, Albert Zeufack defende que a corrupção só será combatida com reformas e com instituições públicas fortes.

Esteve de visita a Angola, que vive uma grave crise financeira e que aposta numa data de reformas para impulsionar a diversificação económica e para combater a corrupção. Como é que olha para estas reformas?
Primeiro que tudo é preciso reconhecer que o processo de diversificação é extremamente difícil quando uma economia é profundamente dependente do petróleo. É ligeiramente mais fácil quando uma economia depende mais da agricultura, porque está mais capacitada para acrescentar valor e para criar mais postos de trabalho. O petróleo assenta em capital intensivo, portanto não proporciona amplas oportunidades de emprego, especialmente para os mais jovens. Portanto, diversificar uma economia dependente do petróleo é um grande desafio. É necessário colocar esta diversificação em termos de reformas sustentáveis num longo período de tempo, para que aconteça.


Mas a diversificação em Angola tem sido um sonho sempre adiado...
Diversificar a economia não acontece do dia para a noite. São necessárias reformas sustentáveis para criar o ambiente necessário para o sector privado emergir, ou para atrair mais investimento privado aos sectores não petrolíferos. O petróleo pode ser uma maldição para as economias petrolíferas, é o chamado fenómeno "Dutch Disease", que basicamente significa que quanto mais depende de petróleo, menos desenvolve outros sectores. O que é preciso é um forte compromisso e sustentar esse compromisso por um longo tempo. Em Angola, pelo que sinto, esse compromisso está lá, e o novo Governo iniciou o tipo de reformas que vão na direcção certa. Essas reformas precisam de ser sustentadas.


A dívida publica de Angola face ao PIB é bastante elevada. É um problema à implementação das reformas que são tão necessárias?
Primeiro que tudo, a dívida pública aumentou significativamente nos últimos cinco anos. Chegou até a dobrar nos últimos três anos. O nível de dívida de Angola face ao PIB não é insustentável. Agora, o ritmo a que subiu é sim preocupante. É importante perceber que a dívida pública de Angola é diferente da de outros países africanos, uma vez que a dívida interna corresponde a metade da dívida. Por isso não é só dívida externa. Mas é importante abordar o problema, porque dívida interna significa que o sector privado não está a operar correctamente, não estão a ser pagos os seus serviços. E isto está a atrasar o crescimento do sector privado. O Governo está bem atento a estas questões e certamente que está a desacelerar o crescimento da dívida.

(Leia o artigo na integra na edição 467 do Expansão, de sexta-feira 06 de Abril de 2018, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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