Director Carlos Rosado de Carvalho

Um em cada três kwanzas emprestados pelos bancos angolanos estão em risco

Um em cada  três kwanzas emprestados  pelos bancos angolanos estão em risco
Foto: Lídia Onde

Em Fevereiro, o malparado no sector financeiro era equivalente a 31,3% do total do stock de crédito concedido pela banca nacional. De um total de 4,8 biliões Kz emprestados, 1,5 biliões são de crédito vencido. Especialistas defendem que um "Estado mau pagador" tem agravado as dificuldades dos mutuários em cumprir pagamentos.

Um em cada três kwanzas emprestados pelos bancos em Angola são malparados, ou crédito vencido, num valor que já ascende a 1,5 biliões Kz e que não pára de crescer desde que, em 2017, o Banco Nacional de Angola (BNA) começou a aplicar maior rigor na classificação do crédito.
De acordo com o relatório de Indicadores do Sistema Financeiro do BNA, em Fevereiro, o crédito malparado no sector financeiro era equivalente a 31,3% do total do stock de crédito concedido que, segundo o relatório de Estatísticas Monetárias do banco central, era de 4,8 biliões Kz (ver gráfico).
Feitas as contas, o total de malparado no sistema financeiro é equivalente ao triplo do valor que o Estado já gastou para resgatar o Banco de Poupança e Crédito (BPC), o maior banco do País. Em quatro intervenções do Estado no BPC, em menos de dois anos, saíram dos cofres públicos 568,8 mil milhões Kz, o equivalente a 3.186 milhões USD.
Num relatório de 27 de Março, a Moody"s deixava o alerta para o elevado rácio de empréstimos vencidos da banca angolana, avançando que, em Novembro, era equivalente a 28,5% dos empréstimos em bruto. Na nota direccionada a investidores, a agência de notação financeira sublinha que perspectiva que o crédito malparado em Angola permaneça elevado nos próximos 12 meses. Numa análise à desvalorização cambial operada no País desde Janeiro, a agência de classificação de risco refere que o facto de, nos últimos anos, os importadores serem obrigados muitas vezes a recorrer ao mercado informal para aquisição de divisas "corroeu as margens de lucro" dessas empresas, que deixaram assim de conseguir suportar o pagamento de empréstimos bancários.

(Leia o artigo na integra na edição 468 do Expansão, de sexta-feira 13 de Abril de 2018, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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