Após sucessivos adiamentos, Governo confirma privatização da TAAG para este ano
Inicialmente prevista para 2021, a privatização foi sucessivamente adiada, tendo sido reagendada para 2024, com a perspectiva de realização via leilão em bolsa. Executivo indica agora que o processo deverá concretizar-se este ano, por via de um concurso limitado por prévia qualificação. Apesar de ter registado alguma recuperação após o período da pandemia, e de ter implementado vários planos de reestruturação, a TAAG continua a continua a ser deficitária e a depender do apoio financeiro do Estado para assegurar a continuidade das suas operações.
O Governo deverá avançar ainda este ano com a privatização da companhia aérea nacional, a TAAG, segundo o Decreto Presidencial n.º 36/26, que aprova a actualização do Programa de Privatizações (PROPRIV) para o período 2023-2026, publicado esta semana.
A confirmação foi feita pelo secretário de Estado do Tesouro, Ottoniel dos Santos, no final da reunião da Comissão Nacional Interministerial do Programa de Privatizações (CNI), ao referir que a TAAG integra a lista dos 10 activos que permanecem prioritários no âmbito do PROPRIV que encerra este ano.
"São esses os activos que a Comissão Interministerial do Programa de Privatizações irá focar para garantir que, dentro do ano 2026, esses processos possam ser concluídos, assegurando assim a conclusão do Programa de Privatizações", afirmou Ottoniel dos Santos durante o encontro que analisou a revisão do portfólio de activos detidos pelo Estado.
Inicialmente prevista para 2021, a privatização foi sucessivamente adiada, tendo sido reagendada para 2024, com a perspectiva de realização através de leilão em bolsa. Contudo, o Executivo indica agora que o processo deverá concretizar-se este ano, por via de um concurso limitado por prévia qualificação (CLPQ), modelo que pressupõe a selecção prévia de investidores com capacidade técnica e financeira para disputar a aquisição.
Apesar de ter registado alguma recuperação após o período da pandemia, que abalou profundamente o sector global dos transportes aéreos, e de ter implementado vários planos de reestruturação, a TAAG continua a apresentar resultados negativos e a depender do apoio financeiro do Estado para assegurar a continuidade das suas operações.
Em 2023, o auditor independente já alertava que a sobrevivência da companhia estava condicionada a injecções contínuas de capital público. Esse cenário manteve-se em 2024, ano em que a empresa, integralmente detida por capitais públicos, agravou os prejuízos para 134,2 mil milhões Kz (147,1 milhões USD), depois de ter registado perdas de 90,1 mil milhões Kz (108,7 milhões USD) em 2023.
Numa análise de longo prazo, os números evidenciam a fragilidade financeira da transportadora. Entre 2015 e 2024, a TAAG apresentou lucros apenas num único exercício - em 2022, com um resultado positivo de cerca de 500 mil dólares. No mesmo período de 10 anos, os prejuízos acumulados ascenderam a 751,6 mil milhões Kz, o equivalente a 1.753,2 milhões USD até ao final de 2024, segundo cálculos do Expansão, com base nas taxas de câmbio de cada um dos anos.
Recordar que em Novembro do ano passado, a TAAG e a Lufthansa, de origem alemã, que integra a maior aliança de companhias aéreas do mundo, Star Alliance (que interliga 25 empresas de aviação de todos os continentes), firmaram, em Luanda, um acordo de parceria para melhorar o desempenho global da TAAG.
Segundo o ministro dos Transportes, Ricardo Viegas d"Abreu, os domínios de intervenção abrangem "a melhoria do modelo de governação corporativa, as áreas comercial, de manutenção, engenharia, formação, operações e apoio na definição de rotas importantes", com vista à concretização da "visão de um hub aéreo nacional", em que se integra a abertura do novo Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto.










