Rigor e competência
Temos de perceber que o melhor para o País é a verdade, o escrutínio público, a discussão, a inclusão de todos neste enorme desafio de ter uma Angola melhor. Não podemos andar sistematicamente zangados com os nossos cidadãos só porque pensam diferente, só porque propõem uma outra solução.
Este Plano Anual de Contratação 2026, publicado no portal das Compras Públicas do Ministério das Finanças, deve merecer bastante atenção. Como é possível que os ministérios tenham avançado com aqueles valores para um documento oficial, sem que exista qualquer preocupação em ser rigoroso.
As discrepâncias face à realidade são tão grandes, que somados, os orçamentos dos 24 ministérios, são 15 vezes o Orçamento de Estado para este ano. Como é possível que não se leve estes documentos a sério? Cada um pede o que acha e quer, o Ministério das Finanças compila os dados e publica.
Existem sempre duas possibilidades - ou ninguém liga nenhuma ao que está estipulado pela lei, manda um valor "ao ca lhas" para o documento e depois faz as despesas que quer (ou pode), ou realmente falta muita qualidade técnica aos quadros dos ministérios. Mais importante do que tudo isto, é que, apesar do documento ser público, envergonhando, obviamente, todos nós, depois não existem explicações e responsabilização, também pública, de quem fez estas estimativas. Sem qualquer rodeio, temos de ser mais rigorosos e profissionais nas funções que desempenhamos, só assim os parceiros do Estado podem ter confiança nas instituições ministeriais.
Às vezes, fico com a sensação que, por desconhecimento ou estratégia, existem alguns submarinos no aparelho do Estado que vão minando a credibilidade da própria acção governativa. Não é quem está fora, quem critica ou denúncia estas acções, são eles próprios que, dentro da máquina, vão dando sinais de que estão a remar em sentido contrário ao desenvolvimento do País. E depois, com a habitual arrogância de quem não consegue, ou quer, resolver os problemas, atira a culpa para os mensageiros. Para quem se apercebe destas in competências. Porque é muito patriótico nunca admitir os erros e apontar as armas a quem os vê.
Neste aspecto, temos muito a evoluir, como um todo, como sociedade. Fico revoltado quando se tenta branquear a incompetência com discursos cor de rosa, quando não se responsabiliza os quadros e os dirigentes por acções menos correctas, às vezes mesmo fora dos limites da lei, porque são dos nossos, amigos ou companheiros partidários, e isso também pode pôr em causa a nossa posição.
Temos de perceber que o melhor para o País é a verdade, o escrutínio público, a discussão, a inclusão de todos neste enorme desafio de ter uma Angola melhor. Não podemos andar sistematicamente zangados com os nossos cidadãos só porque pensam diferente, só porque propõem uma outra solução. Olhar para as coisas de forma diferente não é ser inimigo. E quem não tiver esta abertura de pensamento, não devia exercer cargos públicos. A bem de todos. Pelo menos é nisto que eu acredito!












