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Angola

Omatapalo e Mota-Engil concentram as grandes obras públicas em Luanda

REPORTAGEM NO CENTRO DA CAPITAL

A Omatapalo afirma que, durante o actual mandato do governador da província de Luanda, não celebrou contratos com o Governo Provincial de Luanda. Já a Mota-Engil e o GPL não responderam às questões colocadas pelo Expansão, num sector onde a transparência continua a ser um dos principais pontos de debate.

Apesar da presença de várias construtoras na capital, a Omatapalo e a Mota-Engil mantêm--se como principais executoras das obras públicas em Luanda, reforçando a percepção de concentração num mercado que, embora mais alargado, continua dependente da capacidade financeira e técnica de um grupo restrito de operadores. No entanto, o mercado inclui outros operadores relevantes, como a OEC (ex-Odebrecht), Mitrelli (ex-Kora), Casais Angola, Griner, Tecnovia e, mais recentemente, a Mercons. Ainda assim, a dimensão das empreitadas e, sobretudo, a capacidade de mobilização de financiamento continuam a ser factores determinantes na atribuição das obras, favorecendo as empresas de maior escala.

Na prática, a execução das obras públicas está distribuída por várias empresas, embora com projectos de maior visibilidade concentrados nas maiores construtoras. A estrada da Samba está sob responsabilidade da Casais Angola e da Tecnovia, enquanto a marginal da Corimba foi adjudicada à Mota-Engil, com financiamento assegurado através de uma linha portuguesa. Na Praia do Bispo, a nova fase da Sodima envolve a Mota-Engil e a Griner, enquanto a Casais assume a conclusão do futuro Hotel Sheraton e intervenções na Cidade Alta, consolidando a sua presença em projectos estruturantes. A visibilidade da Omatapalo e da Mota-Engil resulta, sobretudo, da natureza das obras em curso, que abrangem desde reabilitação urbana - parques, passeios e vias - até infra-estruturas críticas como hospitais, sistemas de drenagem e equipamentos escolares. Trata-se de intervenções com impacto directo na mobilidade urbana, na qualidade de vida e na resiliência da cidade, num contexto em que Luanda enfrenta défices históricos de infra-estruturas.

Poucos dados concretos

Questionada sobre o número de empreitadas em execução, a Omatapalo não avançou dados concretos, referindo apenas que participa em "empreitadas do plano integrado de intervenção de Luanda e de reabilitação das vias secundárias e terciárias", enquadradas em programas públicos de investimento desde 2024. Sem detalhar o volume da carteira, a empresa classifica as intervenções como "estruturantes", destacando impactos na mobilidade, drenagem de águas pluviais, segurança rodoviária e qualidade de vida das populações.

No que diz respeito aos valores envolvidos, a construtora remete para os mecanismos legais de publicidade e transparência, sublinhando o cumprimento da legislação nacional e das exigências internacionais de compliance. Relativamente aos ajustes directos, a empresa afirma actuar "nos exactos termos em que os projectos são estruturados e adjudicados pelas entidades públicas competentes", reiterando que não celebrou contratos com o GPL no actual mandato.

A questão do financiamento assume, aliás, um papel central na estrutura do sector. A Omatapalo refere recorrer a soluções financeiras ajustadas à dimensão dos projectos, combinando capitais próprios com parcerias junto de instituições financeiras nacionais e internacionais, apontando esta capacidade como um indicador de solidez e credibilidade. Este factor ajuda a explicar a concentração das grandes obras em empresas com maior robustez financeira...

Leia o artigo integral na edição 871 do Expansão, quinta-feira, dia 10 de Abril de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

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