Seis em cada 10 angolanos já pensou emigrar e têm Europa como destino preferido
O desejo de emigrar, que tem vindo a crescer entre os angolanos, segundo o inquérito do Afrobarómetro sobre migrações, está directamente relacionado com a degradação das condições de vida. Especialistas em Angola defendem que cabe ao poder político o papel principal no sentido de inverter esta tendência.
A maioria dos angolanos já pensou emigrar, apontando como destinos preferidos a Europa (39%) e os Estados Unidos (20%), 75% dizem aceitar imigrantes, embora só 45% considerem positivo o impacto económico dos que vêm de fora, 48% consideram que África deve ter uma voz africana mais forte na tomada de decisões globais e apenas 13% ouviram falar da Zona de Comércio Livre Continental Africana, revelam os resultados do inquérito do Afrobárometro, sobre migrações e o livre comércio, baseado em entrevistas a 1.200 pessoas em Angola, realizadas em Março e Abril de 2024, pelo parceiro nacional, Ovilongwa.
Angola está entre os 16 países onde a maioria da população considerou emigrar, num total de 38 países onde se realizaram os inquéritos que servem de suporte ao relatório "Para além das Fronteiras", do Afrobarómetro. Apesar de a proporção de africanos que consideram emigrar ter aumentado na última década, "ultrapassando significativamente os níveis registados noutras regiões do mundo", a maioria prefere ficar nos seus países, tendência que prevalece na África Oriental, onde apenas 33% dos cidadãos ponderam emigrar e no norte de África (36%). No global, só 45% dos africanos inquiridos consideram sair, com muitos cidadãos na África Austral a preferirem a deslocação para outros destinos no continente. O desejo de emigrar é maior entre os jovens e os mais instruídos, e é impulsionado sobretudo por motivações económicas.
Desigualdade estrutural como mola
No conjunto dos 38 países que fazem parte do relatório do Afrobarómetro, que se baseia em 50.961 entrevistas presenciais realizadas entre 2024 e 2025, Guiné-Bissau lidera com mais cidadãos a querer emigrar (78%), seguido da Libéria (77%) e S. Tomé e Príncipe (68%), que partilha o terceiro lugar com a Gâmbia. Cabo Verde (64%) fecha o top 5 em África, reforçando a posição de África Ocidental como a região onde mais cidadãos se sentem impelidos a procurar melhores condições fora dos seus territórios (ver infografia nas páginas 4 e 5).
Na África Austral, Angola (57%) é o segundo país com mais cidadãos a manifestar desejo de sair, logo a seguir ao Zimbabué (58%). Na sub-região, no total de 11 países inquiridos só em Angola e Zimbabué a maioria quer sair. Nos restantes, a maioria quer ficar, com apenas 27% de cidadãos na África do Sul e na Zâmbia a manifestar desejo de partir.
Sérgio Calundungo, coordenador do Observatório Político Social Angolano (OPSA), não se surpreende com os resultados, que reflectem "a dinâmica de desigualdade estrutural e as dificuldades de acesso ao emprego e meios de sustento" em muitos países. "De certa forma, este resultado demostra que a riqueza concentra-se numa elite restrita enquanto a maioria da população depende unicamente da sua força de trabalho. Em países periféricos como Angola, a renda do petrodólar é hiperconcentrada, enquanto a taxa de crescimento da economia real e dos salários permanece fraca", justifica Calundungo ao Expansão.
Ora, "quando o rendimento do trabalho local é incapaz de garantir mobilidade social, os cidadãos com mais capital humano procuram... Leia o artigo integral na edição 890 do Expansão, sexta-feira, dia 21 de Agosto de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui











