Reabilitação das infraestruturas do Nova Vida arranca três anos depois de autorizada
Mota-Engil é a empresa encarregue das obras de reabilitação no Projecto Nova Vida. Moradores, comerciantes e condutores que circulam pela zona expressam optimismo com o início das intervenções, após anos a contornar buracos.
A Urbanização Nova Vida, localizada no município de Kilamba Kiaxi, em Luanda, vê finalmente o arranque das obras de reabilitação das suas infraestruturas gerais, conduzidas pela empresa Mota-Engil, após dois despachos presidenciais no espaço de três anos a autorizar a despesa e a abertura do procedimento de contratação simplificada e a autorizar a celebração do acordo de financiamento, no valor de 208,3 milhões de euros.
No primeiro despacho, com o n.º 278/23, de 21 de Novembro, é autorizada uma despesa de 259,4 milhões de dólares norte- -americanos para a realização da empreitada, mas na altura não houve movimentação de máquinas, nem qualquer sinal do arranque da obra.
Só três anos depois, é publicado novo despacho presidencial, o n.º 10/26, de 12 de Janeiro, a autorizar a celebração de um acordo de financiamento, de 208,3 milhões de euros, com o banco estatal português Caixa Geral de Depósitos, com uma garantia do Banco Português de Fomento, que cobre 100% da comissão de garantia e 85% do valor do contrato comercial, segundo o diploma. A movimentação das máquinas começou a ser sentida em Junho, estando em fase de preparação dos trabalhos para a realização das obras de reabilitação.
Os trabalhos incluem a reabilitação das vias principais e secundárias, a reconstrução dos sistemas de drenagem, o reforço das redes de saneamento e a modernização das infraestruturas básicas, segundo informou ao Expansão um técnico da obra, assegurando que "os trabalhos serão concluídas dentro do prazo estabelecido". Apesar das obras em curso, circular pelas zonas da Nova Vida continua a ser uma tarefa difícil, com ou sem a ocorrência de chuvas fortes. A ausência de sistemas de drenagem e as estradas esburacadas colocam em risco os transeuntes, as viaturas e a própria infraestrutura.
O Expansão esteve no local e constatou que as obras decorrem com maior visibilidade na Rua 53, conhecida como "rua dos bancos". Neste ponto, observa- -se diariamente a movimentação de máquinas e técnicos. A intervenção é considerada estratégica, não apenas pela dimensão da urbanização, mas também pelo perfil dos seus residentes. Muitos servidores públicos, ministros, governadores, administradores e até políticos da oposição vivem na Nova Vida. O projecto, portanto, tem impacto directo na vida de milhares de famílias e simboliza a relevância da manutenção das zonas habitacionais criadas no período pós-guerra.
O Projecto Nova Vida, construído no período pós-guerra como parte dos programas habitacionais do Estado, alberga dezenas de milhares de residentes e tornou-se uma das zonas residenciais estruturantes da capital. Contudo, nos últimos anos, sofreu com a degradação das vias, falhas nos sistemas de drenagem e problemas agravados pelo aumento do tráfego rodoviário e pela falta de manutenção.
Moradores, comerciantes e condutores manifestam optimismo
Com o arranque das obras, o ambiente na urbanização poderá transformar-se. Para os moradores, o início dos trabalhos representa mais do que a recuperação física das ruas, é a resposta a anos de espera e a promessa de uma vida mais organizada e menos prejuízos nas viaturas, obrigadas a percorrer quilómetros...











