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Economia

Dois passos decisivos aproximam o Corredor do Lobito dos objectivos

IMPORTÂNCIA GEOESTRATÉGICA

A aprovação da parceria ferroviária na RDC e o fecho financeiro de 753 milhões USD para a componente angolana representam os dois maiores avanços do projecto desde o seu lançamento. A entrada de financiamento norte-americano marca uma nova etapa numa infraestrutura com crescente importância geopolítica.

A aprovação, pela República Democrática do Congo (RDC), da parceria público-privada com a Mota-Engil para a reabilitação da linha ferroviária Dilolo-Kolwezi- -Lubumbashi-Sakania, em simultâneo com o fecho financeiro de 753 milhões de dólares destinados à modernização da componente angolana do Corredor do Lobito, representa provavelmente o momento mais importante desde o lançamento desta ambiciosa iniciativa regional. Mais do que dois anúncios independentes, trata-se de dois passos complementares que retiram o projecto da fase de intenções e aproximam-no da sua consolidação como um dos mais importantes corredores logísticos de África.

O financiamento da componente angolana será assegurado pela Africa Finance Corporation (AFC), pela Development Finance Corporation (DFC) dos Estados Unidos e pelo Development Bank of Southern Africa (DBSA), permitindo acelerar a modernização da infraestrutura explorada pelo consórcio Lobito Atlantic Railway (LAR), constituído pela Mota-Engil, Trafigura e Vecturis, responsável pela operação dos cerca de 1.300 quilómetros do Caminho-de-Ferro de Benguela entre o Porto do Lobito e o Luau, na fronteira com a RDC. Este financiamento tem também um forte significado político e estratégico.

Apesar de o Corredor do Lobito ter sido apresentado desde o início como um projecto apoiado pelos Estados Unidos e pelo G7, a realidade é que o financiamento disponível até agora tinha sido assegurado sobretudo por instituições europeias, nomeadamente através da União Europeia, do Banco Europeu de Investimento (BEI) e de outras entidades financeiras internacionais ligadas à iniciativa Global Gateway.

A entrada efectiva da DFC representa, por isso, a primeira materialização financeira da aposta norte-americana no projecto, transformando o apoio político de Washington em investimento concreto. Do lado da RDC Ao mesmo tempo, a decisão do Governo da RDC de avançar com a parceria para recuperar a sua rede ferroviária elimina um dos maiores estrangulamentos do corredor. A linha entre Dilolo, Kolwezi, Lubumbashi e Sakania constitui a espinha dorsal da rede ferroviária congolesa ligada ao Copperbelt, onde se concentra uma das maiores reservas mundiais de cobre e cobalto.

A sua modernização permitirá criar uma ligação ferroviária contínua entre as minas do sul da RDC e o Porto do Lobito, reduzindo significativamente os tempos e os custos de transporte das exportações mineiras. Esta decisão representa igualmente um voto de confiança na capacidade do Corredor do Lobito competir com outras rotas tradicionais de exportação utilizadas pela indústria mineira da região, nomeadamente através da Tanzânia, África do Sul ou Moçambique.

Segundo os promotores, a ligação ferroviária permitirá efectuar o transporte entre Kolwezi e o Lobito em cerca de sete dias, aumentando gradualmente a capacidade para aproximadamente 4,6 milhões de toneladas por ano e reduzindo os custos logísticos em cerca de 30%, um ganho particularmente relevante para um sector em que o transporte representa uma parcela significativa dos custos de produção. Apesar dos avanços registados, permanecem algumas incógnitas.

O Governo congolês ainda não divulgou todos os detalhes financeiros da parceria com a Mota-Engil, nomeadamente o valor global do investimento, a repartição das responsabilidades com a empresa ferroviária estatal SNCC e o calendário definitivo das obras. Também persistem desafios relacionados com o reassentamento de populações instaladas ao longo da linha ferroviária e com a capacidade dos diferentes países coordenarem investimentos e procedimentos aduaneiros.

Importância geoestratégica

Para os Estados Unidos e a Europa, o Corredor do Lobito é uma peça central da estratégia de diversificação das cadeias globais de abastecimento de minerais críticos, procurando reduzir a dependência da China no acesso ao cobre, cobalto e outros metais indispensáveis à produção de baterias, veículos eléctricos, semicondutores e outras tecnologias ligadas à...

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