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Angola

Choque climático e pobreza faz aumentar desnutrição crónica no sul do País

ESTUDO DO POJECTO CRESCER

Estudo acompanhou 1.423 mulheres grávidas e os seus filhos desde o ventre até aos 2 anos, nas províncias da Huíla e Cunene. Em algumas regiões, duas em cada três crianças apresentam baixa estatura para a idade. É uma fotografia do sul, mas ilustra bem o estado de alerta que a desnutrição atingiu, sobretudo, nas zonas rurais do País

A prevalência de desnutrição crónica nas zonas rurais das províncias do Cunene e da Huíla aumentou na última década, atingindo em algumas regiões duas em cada três crianças menores de 5 anos, devido ao choque das alterações climáticas e vulnerabilidades associadas, pobreza e desigualdade social e fraca governação, indica um estudo do Projecto Crescer, que investiga formas de prevenção da desnutrição crónica em Angola.

O estudo, designado MuCCUA, incidiu sobre 1.423 mulheres grávidas recrutadas em 36 conglomerados nas comunas de intervenção (Jamba Sede, Libongue, Mupa-Mukolongodjo e Cahama), bem como as suas crianças, desde o ventre materno até aos 24 meses de idade.

Após acompanhar estas mulheres grávidas e os seus bebés desde a gestação, o estudo apresenta números que, além de confirmar o fracasso das políticas públicas para a segurança alimentar, colocam o País em estado de alerta.

Nos três grupos analisados, a prevalência de crianças com baixa estatura para a idade, causada por desnutrição crónica, variou entre 57,6% e 66,9%, muito acima do limiar crítico de 30% definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Isto significa que, em algumas comunidades, duas em cada três crianças chegam ao segundo aniversário com o crescimento fortemente comprometido, afectando também as capacidades cognitivas do adulto do futuro, que se tornará na engrenagem que faz mover a economia do País.

De acordo com a OMS, a curto prazo, as consequências da desnutrição crónica passam por elevado índice de mortalidade infantil, doenças infecciosas e atraso no desenvolvimento cognitivo, motor e na linguagem. No longo prazo, quem paga é o País, que vê a capacidade do seu maior activo (o recurso humano) comprometida desde...

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