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Economia

Subida dos preços dos materiais pressiona mercado da construção

DEFENDEM OS OPERADORES

Vernizes (+120%)e o cimento (+100%), assim como a madeira, contraplacado e tubos de aço, com +83% foram os produtos que mais cresceram os preços nos últimos 5 anos, segundo cálculos do Expansão com base nos relatórios do INE referentes ao Índice de Preços dos Materiais de Construção (IPMC).

A escalada dos preços dos materiais de construção voltou a expor uma fragilidade estrutural da economia angolana: a ausência de uma base industrial capaz de responder à procura interna. Especialistas ouvidos convergem na ideia de que o problema ultrapassa a actual conjuntura inflacionista e resulta de um défice histórico de investimento na produção local, agravado por falhas de regulação e dependência de importações. Em termos práticos, a leitura dominante no sector é clara: a inexistência de uma indústria sólida de materiais de construção está na origem de grande parte da pressão sobre os preços, a par de uma fiscalização considerada insuficiente. O episódio do cimento, no final do ano passado, é apontado como exemplo paradigmático - o preço do saco de 50 kg chegou a atingir os 10.000 kwanzas no retalho, mais do dobro do valor praticado à saída das fábricas, evidenciando fenómenos de especulação e distorções na cadeia de distribuição. Para Luís Salvador, membro da Associação dos Empreiteiros de Construção Civil e Obras Públicas de Angola (AECCOPA), o impacto desta escalada é já visível no terreno.

O responsável alerta que o aumento dos preços tem provocado "sérios proble mas" no sector, obrigando muitos operadores a abandonar a actividade principal ou a procurar nichos alternativos para sobreviver. Com a maioria das grandes obras públicas concentradas em grandes empresas, os pequenos empreiteiros dependem essencialmente da autoconstrução - precisamente o segmento mais penalizado pelo encarecimento dos materiais. A consequência directa, sublinha, é a retracção da procura e a paralisação de projectos.

Dados do INE apontavam, no final do terceiro trimestre, para cerca de 80% das obras paralisadas no País, um número que ilustra a dimensão do bloqueio no sector. Para Luís Salvador, a construção civil deve ser encarada como prioridade estratégica pelo Executivo, defendendo que só uma aposta consistente numa indústria nacional de materiais poderá estabilizar os preços.

Acrescenta ainda que a banca tem aqui um papel determinante, nomeadamente através da concessão de crédito bonificado que permita financiar investimentos industriais e reduzir a dependência de importações num contexto de escassez de divisas. Do lado da indústria, Ricardo Rocha, vice--presidente da Associação das Indústrias dos Materiais de Construção de Angola (AIMCA), reforça que a pressão cambial é um dos principais motores da subida de preços. A desvalorização do kwanza, a dificuldade de acesso a divisas e a ausência de incen tivos à produção local criam um ambiente adverso para os operadores...

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