Tensões geopolíticas pressionam mercados
Os mercados globais encerraram a semana sob pressão, num contexto de agravamento das tensões entre os EUA e o Irão, que impulsionou os preços do petróleo e aumentou a aversão ao risco, penalizando os mercados bolsistas.
Na última semana, os mercados financeiros foram dominados pelo agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente. O fim do cessar-fogo entre os EUA e o Irão, associado a novos ataques militares na região e ao aumento do risco de interrupção do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, impulsionou os preços da energia e reforçou os receios de um novo choque inflacionista à escala global. Neste contexto, os preços do petróleo registaram ganhos expressivos.
O Brent, referência para as exportações angolanas, valorizou 6,95% na semana, encerrando nos 78,57 dólares por barril, enquanto o WTI avançou 6,47%, para 74,54 dólares por barril. A valorização do petróleo reacendeu as preocupações em torno da trajectória da inflação e da resposta dos principais bancos centrais. Os mercados passaram a atribuir maior probabilidade à manutenção de políticas monetárias restritivas durante mais tempo, num contexto em que a FED e o BCE permanecem focados na estabilidade dos preços.
Na Europa, o Euro Stoxx 600, principal índice de referência da região, recuou 2,76%, para 634,75 pontos, penalizado sobretudo pelo aumento da aversão ao risco. Nos EUA, os principais índices accionistas revelaram maior resiliência, com o S&P 500 a avançar 0,28%, beneficiando da robustez da economia norte-americana, evidenciada pela criação de 147 mil empregos em Junho e pela redução da taxa de desemprego para 4,1%. Adicionalmente, as bolsas foram apoiadas pelos sólidos resultados do sector tecnológico.
No mercado cambial, o euro depreciou-se ligeiramente face ao dólar (-0,08%), negociando em torno de 1,14 dólares. Num contexto de maior procura por activos de refúgio, o ouro valorizou 1,22%, para 4.050,73 dólares por onça, beneficiando da crescente procura por activos considerados seguros em períodos de elevada incerteza geopolítica.
Entre as restantes matérias-primas, destacou-se a forte valorização dos produtos agrícolas, com o cacau a subir 17,11%, o café 6,93% e o milho 6,31%, reflectindo preocupações com a oferta global e condições climáticas adversas em importantes regiões produtoras.
Por fim, no mercado de dívida soberana, as taxas de rendibilidade da dívida europeia registaram uma subida expressiva, com os juros das Bunds alemãs a dez anos, referência para a Zona Euro, a avançarem 9,8 pontos-base, para 3,090%, reflectindo o aumento da incerteza geopolítica e das expectativas de inflação











