UGD baixa taxas de juro dos Títulos do Tesouro em 2,5 pp
A Unidade de Gestão da Dívida (UGD) comunicou aos operadores uma redução de 2,5 pontos percentuais nas taxas de juro aplicadas aos Títulos do Tesouro no mercado primário, com maturidades de 4, 6 e 8 anos, de acordo com o boletim semanal publicado pelo BFA.
Segundo o documento, esta actualização tem em conta a actual conjuntura macroeconómica do país, nomeadamente a trajectória sustentada pela redução da inflação e a evolução das condições de liquidez e de procura no mercado de dívida pública, com o objectivo de assegurar uma maior adequação das condições de financiamento do Estado à actual conjuntura.
A informação revela que os instrumentos com maturidade original de 4, 6 e 8 anos passam a ser negociados a 14,25%, 14,75% e 15,25%, respectivamente, face aos anteriores 16,75%, 17,25% e 17,75%. Este ajuste traduz um alívio efectivo no custo de financiamento do Estado e aproxima progressivamente as taxas praticadas das novas condições de mercado, lê-se na informação divulgada pelo BFA. Este movimento da UGD vai de encontro às expectativas do sector, tendo em conta o cenário de desaceleração da inflação e das principais taxas de juro de referência do BNA, anunciadas pelo Comité de Política Monetária na sua última reunião.
Os títulos de dívida pública têm sido o principal instrumento de investimento dos bancos comerciais que operam no País e no ano passado cresceram 22% para 9,1 biliões Kz (+1,6 biliões), representando 35% dos activos totais da banca, contribuindo assim para o lucro conjunto de 1,0 biliões de Kwanzas que os 20 bancos comerciais que operam no sistema financeiro nacional contabilizaram, em 2025. Os bancos continuam a preferir aplicar os seus recursos em dívida pública em detrimento do crédito à economia, uma vez que esta representa mais riscos ao nível do incumprimento.
Apesar de tendencialmente a descida das taxas de juro a pagar pelo Estado poderem "empurrar" os bancos para mais crédito à economia, tendo em conta o cenário actual, especialistas consultados pelo Expansão admitem que a banca deverá estar numa posição de "esperar para ver", uma vez que persistem dúvidas sobre as mais recentes publicações do INE, que são favoráveis à narrativa do Governo.











