Chocolate artesanal viaja a bordo de companhias aéreas
Apesar de as vendas de chocolates serem sazonais, a empresa já conta com clientes corporativos fidelizados, como a TAAG e a Air France, além de bancos comerciais e empresas petrolíferas. Há também clientes particulares, que compram o chocolate produzido com matéria-prima proveniente do Gana.
Vários sabores, muitos deles únicos e inspirados em histórias pessoais, cruzam-se com o paladar exótico de Angola para dar identidade à Gourmandise Chocolates Artesanais. O negócio de chocolates caseiros nasceu em 2010, um ano depois de a empreendedora Song Tali regressar da Suíça, país reconhecido mundialmente como referência na produção de chocolate. Caxinde, maracujá, lima, gengibre ou a combinação de mel do Moxico com avelã são alguns dos sabores desenvolvidos pela marca. Há ainda chocolates inspirados na maresia, que deixam de ser simples guloseimas para representar memórias e lugares que Song carrega consigo. Cada criação conta uma história e, hoje, esses chocolates viajam a bordo da companhia aérea nacional, TAAG, e da francesa Air France, além de marcarem presença em eventos corporativos de bancos comerciais do País e de empresas petrolíferas. Mas as vendas não se limitam às empresas. Pessoas singulares também compram através de encomendas nas redes sociais e, desde Junho do ano passado, numa loja física no Patriota. A abertura do novo espaço custou 25 milhões Kz. O equipamento para derreter o chocolate foi comprado em 2019, em Itália, onde frequentou uma formação profissional em chocolate artesanal, e custou 15 mil euros. "Já investi tanto ao longo dos anos. Fica difícil saber quanto investi no global, até porque o negócio é intermitente devido às minhas responsabilidades e viagens. Já parei e recomecei várias vezes. Mas o material de produção é de 2019, quando abri o negócio", disse Song, que quer fazer chocolate artesanal para sempre. O negócio é sazonal. Dia dos Namorados, Natal e Páscoa são alturas em que o volume de encomendas sobe bastante. "Há momentos em que temos lucros, por exemplo, no período da Covid fizemos várias encomendas, foi o nosso melhor período. Na verdade, quando tinha apenas a produção, sem loja, já dava lucro. Com a abertura da loja, que tem custos de arrendamento e manutenção, às vezes ainda tenho de tapar buracos", explica, sem avançar números. Para compensar as fases mais fracas de encomendas (Janeiro, Junho, Julho e Agosto), a empresária realiza workshops para crianças, o que também ajuda a manter o fluxo de caixa. A Gourmandise Chocolates Artesanais conta actualmente com cinco funcionários, mas apenas Song Tali põe a mão no chocolate. "Tenho uma assistente. Acho que, para já, não há necessidade de termos mais pessoas. Precisamos de mais ajuda quando temos muitas encomendas, pois embalar demora muito tempo. Eu diria que dá mais trabalho do que fazer o próprio chocolate." As embalagens são importadas já personalizadas a partir da China e as caixinhas vêm de vários lugares do mundo e lojas locais. O chocolate vem do Gana, em forma de pepitas, é derretido e depois transformado em barras (tablets) ou bombons com recheios e sabores típicos de Angola. Embora já exista empresas locais que produzem chocolate de forma industrial a partir do cacau de Cabinda (a província está a revitalizar a produção através de cooperativas), a empreendedora considera que ainda falta qualidade. "Comprámos algumas vezes o chocolate localmente e tinha muito açúcar, tivemos de corrigir", justificou. Ligação ao chocolate Apesar da forte ligação à Suíça, Song Tali explica que o chocola te artesanal não surgiu inicialmente como um plano de vida. "Lá, em Genebra, havia imensas chocolaterias. Achava aquilo tudo maravilhoso. Mas realmente só gostava de ver. Não era algo que eu pensasse: "um dia vou fazer isto". Quando comecei, dei conta de que era do que gostava, até porque sempre fiz artesanato", contou ao Expansão. O percurso da empreendedora passou ainda por países com tradição no cacau. Viveu durante muito tempo no Gana, o segundo maior produtor e exportador de cacau do mundo, atrás apenas da Costa do Marfim, além de ter ligações familiares à produção de cacau em grande escala na República Democrática do Congo (RDC). Ainda assim, Song sublinha que nenhuma dessas experiências influenciou, de forma intencional, a decisão de produzir chocolate artesanal. O chocolate feito à mão, assim como outras formas de artesanato, tem conquistado espaço em várias cidades do mundo, num mercado que cresce à medida que o consumidor valoriza cada vez mais os sabores autênticos e a proximidade com quem produz. A marca Gourmandise Chocolates Artesanais surge, assim, como um dos vários exemplos de negócios de nicho em expansão, onde a identidade dos lugares, as memórias e a gastronomia se cruzam para criar produtos com assinatura própria.










