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Desconfiança, fraca literacia, fiscalização e distribuição travam crescimento dos seguros

DISCUSÃO SOBRE SEGUROS OBRIGATÓRIO NO PAÍS

O mercado segurador continua sem conseguir vencer a desconfiança dos consumidores, a falta de informação, a fraca fiscalização e uma presença efectiva de agentes junto dos clientes. Seguradoras reconhecem falhas na comunicação e na resposta aos clientes, enquanto o incumprimento da lei continua a travar o crescimento do sector.

Os níveis baixos de conhecimento sobre os seguros obrigatórios e a fraca divulgação da importância dos seguros são os principais desafios do sector, numa economia com salários baixos e um desemprego estrutural, concluíram representantes das seguradoras que participaram da mesa redonda durante o XI Fórum Seguros.

O estigma de que as seguradoras não pagam sinistros (os números indicam que, em 2025, o sector pagou 251,3 mil milhões KZ), apesar da evolução, persiste, assim como permanece no mercado a ideia de que a regularização dos ressarcimentos ainda é muito burocrática e quase nunca chega a tempo.

Além disso, os seis especialistas, que participara da mesa redonda, concordaram que há, nos seguros obrigatórios, um hiato entre a obrigatoriedade e o cumprimento, visto que apenas 18% das viaturas têm seguro, um dos mais de 30 seguros que a regulamentação do País obriga a contratar.

Para Vera Sobral André, PCE da Sanlam Allianz Angola, a responsabilidade da fraca cobertura dos seguros obrigatórios é de todos.

"As seguradoras, naturalmente, têm um papel fundamental; contudo, o regulador tem também um papel activo, o Estado e os órgãos têm também um papel muito importante aqui na criação de escala e na penetração dos seguros no país".

Osvaldo Júlio, director da ENSA Seguros, reforçou a responsabilidade partilhada ao referir que é necessário ter mais intervenção da mediação e de outros canais de distribuição, como a bancassurance, isto é, a banca como canal de distribuição de produtos de seguros. "Temos aqui uma responsabilidade partilhada: os seguradores, os mediadores, os outros canais de distribuição e os jornais especializados nesta matéria, que também devem continuar a divulgar e explicar a importância dos seguros, disse o responsável.

Apesar de a responsabilidade ser de vários entes, a responsabilidade maior continua a ser das seguradoras, que são as empresas que montam os balcões, a rede de agentes e contratam mediadores para a venda dos produtos aos tomadores, já que seguros na economia e no País funcionam como estabilizador social, além de gerarem empregos e de protegerem e garantirem a manutenção e continuidade da actividade económica.

Segundo Paulo Bracons, PCE da Mulemba Re, o sector dos seguros é, em termos económicos, das actividades que mais devolve à economia.

"Devolve-se sob a forma de sinistros, uma grande parte, sob a forma de salários a todos os colaboradores da empresa e aos fornecedores. Ou seja, é dos sectores de actividade que mais devolvem à sociedade, à economia, tudo aquilo que recebem como rendimento". Mas esta percepção nem sempre é conhecida e assimilada por quem contrata os seguros no País, devido à fraca divulgação das seguradoras, uma mensagem que, de acordo com os participantes, ainda não é passada de forma mais incisiva, fácil e perceptível aos potenciais consumidores ou clientes.

Para Osvaldo Júlio, é necessário que as seguradoras reforcem a capacidade de apresentar factos para conquistar a confiança do mercado, que sempre esteve em níveis muito baixos.

"É preciso ganhar a confiança a partir da demonstração daquilo que as seguradoras fazem. Ouvimos que, em 2025, se registou um volume de prémios de mais de 578 mil milhões de KZ, mas também pagamos sinistros. Essa parte também deve ser divulgada, deve ser apresentado às pessoas que beneficiam do nosso serviço, para acreditarem mais no sector".

Já para Firmino Macuácua, administrador executivo da Nossa Seguros, o crescimento dos sinistros também pode ser visto como a resposta efectiva que é o propósito dos seguros, ou seja, mostra que eles estão a funcionar, que as empresas estão a responder. Por isso, a na...

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