Empresa angolana e consórcio internacional com olhos no Corredor do Namibe
Trata-se de um concurso que visa a concessão, durante 30 anos e prorrogáveis até 50, do direito de exploração, gestão e manutenção da Linha Férrea de Moçâmedes-Menongue e infraestruturas associadas
Uma empresa nacional e um consórcio internacional são os únicos candidatos à concessão do Corredor do Namibe, que entra agora na fase de negociação, depois de ter sido excluído o consórcio constituído pela pela ATG Afri-Track Group, Global Business Development e VFF devido a insuficiências documentais. A empresa angolana Copia Group of Companies foi admitida sem condicionantes, enquanto o consórcio formado pela Africa Finance Corporation (AFC) e African Rail International foi admitido de forma condicional. A Copia Group of Companies, fundada em 2015, actua nas áreas de fiscalização de obras civis, tecnologias de construção e gestão de projectos. Entre os trabalhos de referência está a fiscalização do Aproveitamento Hidroeléctrico de Caculo Cabaça, um dos maiores empreendimentos energéticos do país
Já o consórcio internacional é liderado pela Africa Finance Corporation (AFC) uma instituição financeira multilateral de desenvolvimento com 48 países membros (entre eles Angola) e com um histórico de cerca de 19 mil milhões de dólares desembolsados em projectos em 36 países africanos. A AFC tem experiência consolidada em projectos ferroviários ligados a Angola, como a Lobito Atlantic Railway e o projecto Zâmbia - Lobito. A African Rail International acrescenta ao consórcio uma componente técnica especializada no sector ferroviário. As decisões foram anunciadas no final da semana passada. Trata-se de um concurso que visa a concessão, durante 30 anos e prorrogáveis até 50, do direito de exploração, gestão e manutenção da Linha Férrea de Moçâmedes-Menongue e infraestruturas associadas, com capacidade para transportar até cerca de 5 milhões de toneladas de carga por ano.
Após esta fase, a Comissão de Avaliação terá agora de analisar e avaliar as propostas destes dois concorrentes, de acordo com o que está estabelecido nas peças do concurso. Segundo o presidente da Comissão de Avaliação, José Roberto Costa, não há previsão de tempo para a conclusão do processo, uma vez que as negociações podem ser longas e envolver diversos aspectos técnicos e financeiros.
O objectivo é garantir que os concorrentes apresentem propostas robustas, culminando na elaboração de relatórios preliminares e finais que definirão a entidade adjudicatária do contrato de concessão. Durante esta fase, a comissão poderá solicitar esclarecimentos adicionais às empresas, mantendo um contacto mais estreito com os concorrentes. José Roberto destacou ainda que o projecto tem potencial para alavancar a economia nacional, dinamizar o corredor e reforçar a integração regional, ao criar condições para o escoamento eficiente de minérios, rochas ornamentais, produtos agrícolas e outros bens.
A assinatura do contrato de concessão marcará o encerramento do processo e a escolha da entidade que assumirá a gestão do Corredor do Namibe, considerado um dos eixos logísticos mais importantes para o futuro das infraestruturas de transporte em Angola. De acordo com o responsável da Comissão de Avaliação, a concessão prevê ainda a possibilidade de concepção e construção de novos troços e ramais, incluindo ligações ferroviárias à Namíbia e, futuramente, à Zâmbia.
"Esta dimensão regional é apontada como um dos principais factores de impacto do projecto, ao permitir maior integração económica e comercial entre Angola e os países vizinhos, além de dinamizar as cadeias de abastecimento e atrair novos investimentos", disse.











