Lufthansa compra até 49,9% da portuguesa TAP
O Governo português escolheu a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028. Pelo caminho fica o grupo franco-neerlandês Air France-KLM, que ofereceu menos 163 milhões de euros do que a Lufthansa.
Após a operação, o Estado português mantém 50,1% da TAP, enquanto a Lufthansa ficará com 44,9% a 49,9%. Os 5% de diferença dependem se os trabalhadores compram ou não a participação a que têm direito neste processo. A escolha foi fortemente influenciada pela estratégia de crescimento apresentada pelo grupo germânico. A meta da proposta passa por fazer crescer a frota actual da TAP, de 101 aeronaves para 117 até 2035, e mais tarde para 130, dependendo da inauguração do novo aeroporto previsto para a capital portuguesa.
Este pacote financeiro poderá chegar aos quatro mil milhões de euros e abre a porta à integração de até oito aviões Airbus A350-900 na frota portuguesa a partir de 2030. Outro pilar da proposta da Lufthansa é a abertura de uma escola de aviação (civil e militar), um projecto que injectará centenas de milhões de euros na reabilitação das infraestruturas e gerará 200 postos de trabalho.
Para o grupo alemão, o maior ganho com a compra da TAP está no aumento de presença nos voos para a América Latina, beneficiando da forte implementação da companhia portuguesa no Brasil. Com este negócio, a Lufthansa passa de uma quota de mercado de 9% na América Latina para 20% (em número de passageiros).
Desta forma, movimentará receitas de 47 mil milhões de euros, passando a ocupar o quarto lugar do ranking a nível mundial, apenas atrás da Delta (56 mil milhões), da United (52 mil milhões) e da American Airlines (48 mil milhões). Em passageiros, a nova empresa movimentará 168 milhões de passageiros, o que a coloca como sexta mundial e segunda na Europa. Tornar-se-á a transportadora europeia com mais aeronaves, e a sexta maior do mundo.
Segundo avançam alguns órgãos de comunicação social portugueses, a Lufthansa apresentou uma proposta alternativa à compra da TAP, em que em vez de ficar com o máximo de 49,9% previsto no decreto-lei da privatização, compraria já a totalidade da companhia aérea portuguesa. E, para já, acena com a cedência de uma participação de 5% na Lufthansa ao Estado português que, desta forma, passaria a ser o segundo maior accionista da companhia alemã. Esta proposta estará em cima da mesa até ao fecho da operação em 2028, e engloba um total de 2.552 milhões de euros. Para ser aceite, o Governo PSD terá de ter o apoio dos partidos da oposição.
Em Novembro do ano passado, o Ministério dos Transportes anunciou ter assinado um contrato com a transportadora alemã que integra a maior aliança de companhias aéreas a nível mundial (Star Alliance) para apoiar a reestruturação da companhia aérea TAAG. Os domínios desta parceria englobam a melhoria do modelo de governação corporativa, as áreas comercial, de manutenção, engenharia, formação, operações e apoio na definição em rotas importantes, com vista à concretização da visão do hub aéreo nacional em que se enquadra o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto.











