Norte-americano Citybank é o novo correspondente bancário em dólares do BFA
Os maiores bancos angolanos continuam à "caça" de bancos correspondentes em dólares. O Corredor do Lobito, que tem investimentos europeus e dos EUA, tem sido o "abre latas" para inverter uma década de "travessia no deserto".
O Banco de Fomento de Angola (BFA) é o primeiro banco de matriz angolana a estabelecer um acordo de correspondência bancária e a abrir uma conta em dólares no gigante norte-americano Citybank, que é o 11.º maior banco do mundo em activos. Ao estabelecer esta relação, o Citibank passa a disponibilizar a sua infraestrutura e rede internacional para suportar o processamento de operações do BFA, reforçando a capacidade do banco liderado por Luís Gonçalves para acompanhar e facilitar os fluxos financeiros dos seus clientes entre Angola, os Estados Unidos e o resto do mundo.
"As negociações tiveram início há mais de 3 anos e, desde então, foi-se transformando numa relação de parceria, mas este tempo deve-se ao longo processo de due diligence, e daí podemos aferir o grau de exigência", avançou ao Expansão Alice Azevedo, directora da Área Internacional do BFA.
A responsável sublinha que a relação com o Citibank poderá também gerar oportunidades comerciais para os clientes de ambos os bancos que pretendam transaccionar em Angola. "Como parceiros locais, teremos a oportunidade de liderar financiamentos, estruturar operações e explorar outras oportunidades de negócio", disse.
Já no ano passado, aquele que é o segundo maior banco em activos do sistema financeiro nacional garantiu um acordo com o Mashreq Bank, um banco do Dubai, para correspondência em dólares. Apesar de não ser um banco norte-americano, tem uma dependência no país de Donald Trump, tendo sido permitida a correspondência em dólar.
Agora, obtém um terceiro correspondente em dólares, tratando-se de mais um marco na internacionalização do banco angolano, depois de em Outubro do ano passado ter dado início a um processo semelhante com o Deutsch Bank, abrindo a "porta" a que mais bancos nacionais tenham entrado, depois, neste grupo restrito de bancos com contas de correspondência naquela instituição bancária europeia, como foi o caso do Millennium Atlântico e o Standard Bank.
Superar a "travessia no deserto"
Depois de praticamente uma década de "travessia no deserto", os maiores bancos angolanos têm estado à "caça" de correspondentes bancários em dólares. Também no final do ano passado, o Standard Bank celebrou um acordo de correspondência bancária com os norte-americanos JP Morgan, naquilo que foi o regresso de um grande banco americano à correspondência bancária a com Angola.
esde 2015 que a correspondência bancária em dólares esteve restrita a pequenas dependências no "meio do nada" em território dos EUA e a bancos menores noutros continentes. Essa restrição surgiu por imposição do regulador dos EUA devido a falhas no compliance em Angola e por suspeitas de branqueamento de capitais nas operações.
As negociações não foram proibidas, mas o risco e o valor das operações e caso fossem detectadas falhas pelo supervisor norte-americano não compensavam as eventuais multas a que as instituições norte-americanas ficariam sujeitas. Segundo especialistas, o regresso da correspondência bancária em dólares por grandes bancos norte-americanos mostra que a vontade política que resulta do investimento americano no Corredor do Lobito acaba por impor-se à negatividade que representa o facto de Angola estar hoje na lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira (GAFI).











