Papel dos seguros obrigatórios e da resseguradora nacional passa pelo crivo dos gestores do sector
A eficácia dos seguros obrigatórios, a necessidade de mecanismos reais de fiscalização e o papel da Resseguradora Nacional na retenção de valor e no equilíbrio da cadeia do sector dividiram as opiniões dos líderes das principais seguradoras e resseguradoras do mercado angolano. O debate teve lugar durante o XI Fórum Seguros do Expansão, onde os gestores discutiram os caminhos para alargar a base de clientes e reforçar a capacidade de retenção de prémios no País.
Na visão de Osvaldo Júlio, director da ENSA Seguros, o crescimento do mercado continuará a ser alavancado por duas vias complementares: o surgimento de novas coberturas obrigatórias para actividades de maior risco e o aproveitamento do potencial de crescimento dos seguros que já estão previstos na lei, com destaque para o ramo automóvel.
"O aumento de seguros obrigatórios para aquelas actividades em que, politicamente, se identifica maior risco é um caminho. Mas, por outro lado, temos margem para crescer nos próprios seguros obrigatórios que já existem, como é o caso do automóvel", defendeu o responsável, alertando para a necessidade de priorizar coberturas essenciais de protecção patrimonial e pessoal em detrimento de exigências de mercado menos sustentáveis.
uma perspectiva diferente, Ana Ellen Marques, administradora executiva da Fidelidade Seguros, defendeu que a criação de novas obrigações legais só fará sentido se existirem condições reais para a sua aplicação prática e controlo.
"Se o caminho for adicionar novos seguros obrigatórios, que desta vez se faça o teste completo desde o início: é obrigatório, mas existe capacidade de pagamento e existem mecanismos eficazes de controlo e fiscalização?", questionou a gestora. Para a responsável da Fidelidade, criar mais normativos sem capacidade de monitorização ou sem atender à capacidade financeira dos cidadãos e das empresas revela-se "contraproducente".
No que respeita à tarifação e sustentabilidade do negócio, Bárbara Silva, administradora executiva do BIC Seguros, ressaltou a importância de alargar a base de subscritores e ajustar as margens com prudência técnica, garantindo que o aumento do faturamento se traduza num benefício efectivo e não num factor de risco acrescido de sinistralidade descontrolada para as companhias.
A análise ao papel do resseguro nacional e à resolução de sinistros foi conduzida por Paulo Bracons, presidente da comissão executiva (PCE) da Mulemba Re - Companhia Nacional de Resseguros, que defendeu uma abordagem integrada a toda a estrutura do sector.
"Temos de trabalhar as diferentes áreas da cadeia de valor para melhorar o tratamento dos seguros e a celeridade na resolução dos sinistros", apontou o líder da resseguradora nacional, enfatizando que o reforço da retenção de prémios no País exige rigor e articulação técnica entre todos os intervenientes.
Uma visão partilhada por Firmino Macuacua, administrador executivo da NOSSA Seguros, que sublinhou que o desempenho da indústria depende de factores transversais à economia. "A cadeia depende de cada actor, mas há uma conjuntura global que é preciso ter em conta. Outros sectores da economia, como a logística e a distribuição, condicionam directamente a actividade seguradora", explicou.
O painel de debate do XI Fórum Seguros do Expansão contou ainda com os contributos de Vera Sobral André, PCE da Sanlam Allianz Angola, juntando os principais quadros e reguladores do sector no Centro de Convenções de Talatona (CCTA), em Luanda.











