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Tecnologia e dados são a chave para alavancar a penetração dos seguros em Angola

Frederico Fragoso

A transformação digital, a utilização de inteligência artificial e o cruzamento de dados com os registos públicos constituem caminhos cruciais para acelerar a inclusão financeira, melhorar a fiscalização dos seguros obrigatórios e proteger a rentabilidade das companhias operantes no mercado angolano, defendeu hoje, senior manager da EY Angola.

Frederico Fragoso falava durante a sua intervenção no XI Fórum Seguros do Expansão, onde abordou as oportunidades e os desafios trazidos pela tecnologia à supervisão e à transformação do negócio segurador.

"A barreira deixou de ser tecnológica e passou a ser a qualidade dos dados. Sem dados de qualidade, a governação e a Inteligência Artificial não conseguirão dar resposta aos desafios do sector", advertiu o especialista.

A urgência de adoptar novos modelos tecnológicos justifica-se pela elevada margem de crescimento que o sector ainda apresenta. Actualmente, apenas cerca de 4,1% da população angolana possui qualquer tipo de seguro, um cenário de reduzida penetração que o especialista propõe inverter através do reforço da distribuição digital. Ao disponibilizar a oferta directamente nos canais habituais dos clientes , com recurso a cotações automáticas e pagamentos por telemóvel, as seguradoras conseguem reduzir custos operacionais e viabilizar a comercialização de produtos com prémios mais baixos para novos segmentos da sociedade. "É necessário levar o seguro onde está o cliente", afirmou.

Frederico Fragoso sublinhou também a importância de associar o reporte das apólices aos registos públicos em tempo real, permitindo uma verificação automatizada em escassos segundos e utilizando a obrigatoriedade legal como verdadeira porta de entrada para a massificação do mercado, ao mesmo tempo que se medem os resultados da Estratégia Nacional de Seguros Obrigatórios (ENSO) com dados concretos.

Por fim, o especialista chamou a atenção para a necessidade de reforçar a confiança dos consumidores num mercado em que cerca de 61% das reclamações apresentadas no primeiro trimestre de 2026 incidiram precisamente sobre seguros obrigatórios. A resposta a esta insatisfação passa, segundo Frederico Fragoso, pela digitalização integral da regularização de sinistros, desde a participação inicial no telemóvel até ao pagamento das indemnizações, encurtando prazos de regularização no caminho rumo à meta dos 30 dias e assegurando uma conduta transparente sob supervisão do regulador.

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