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Grande Entrevista

"Os pagamentos em Kz e a falta de financiamento têm tirado competitividade às empresas nacionais"

LUÍS LAGO DE CARVALHO | EMPRESÁRIO DO OIL & GAS

O empresário da indústria de petróleo e gás, Luís Lago de Carvalho, diz que tem sido muito difícil competir no mercado com empresas estrangeiras que se financiam lá fora a taxas de 5%, enquanto as nacionais enfrentam dificuldades de financiamento ao mesmo tempo que recebem pagamentos em Kz mais de 100 depois da prestação de serviços, o que tem criado sérios problemas de tesouraria às empresas.

A Lei do Conteúdo Local do sector dos petróleos, que foi criada para dar espaço às empresas nacionais nos contratos de prestação de serviço com operadoras de blocos petrolíferos, foi publicada há precisamente seis anos. Que balanço faz da aplicação da lei?

De maneira geral, faço um balanço muito positivo da implementação da lei, mas infelizmente não é o que temos observado no terreno. Diria que foi um passo importante, foi uma grande expectativa que criou em todos nós, principalmente nos empresários locais, mas por vários motivos, não tem atingido o seu objectivo. E digo isto, tanto como empresário, como membro da associação.

O que falhou, no seu ponto de vista?

O principal ponto é que não foram bem definidos alguns dos mecanismos de implementação, principalmente de controle, na medida em que a própria implementação tinha de ser mais detalhada, tinha de ter objectivos claros que se pudessem atingir e que se fossem verificando se estão a ser alcançados ou não, porque temos dois segmentos de empresas que trabalham no conteúdo local.

E o que tem acontecido com elas?

Temos empresas angolanas e multinacionais de direito angolano, que têm sucursais e estão no bolo das contratações locais. Eu não tenho nada contra as empresas internacionais, pelo contrário, sou sócio de algumas delas e acho que esse até é o melhor caminho técnico para podermos evoluir e nos financiar por causa da dificuldade de financiamento no país. Mas, ao olhar para esse volume de negócio tem de se ver o que fica no país, porque elas recebem 80% lá fora e apenas 10% ou 20% ficam no País, numa altura em que o País precisa de cambiais. Por isso é que eu digo que é preciso haver mecanismos de implementação e de monitorização desse conteúdo local real.

Quais são as principais dificuldades das empresas angolanas?

Os problemas são os mesmos e têm a ver com a capacidade de financiamento, que é quase inexistente, por isso temos grandes dificuldades em sermos competitivos com o exterior. Nós já somos competitivos nos preços que praticamos pelos serviços prestados. Prova disso é que há muita empresa angolana que hoje já presta serviços noutros países da região. Só não conseguimos ser competitivos quando queremos crescer, quando precisamos de investir em novos equipamentos, quando precisamos de fazer crescer a estrutura e vamos à banca e encontramos taxas de juros impeditivas de 20% a 23%, na melhor das hipóteses 18% numa altura em que estamos a concorrer contra empresas internacionais, que têm acesso a financiamentos de 5%, este é o dos grandes problemas, senão o principal.

Uma das questões que se tem colocado sobre a mesa tem a ver com o pagamento em Kz. Acredita que este facto tem prejudicado as empresas locais?

A lei cambial veio alterar toda a estrutura de funcionamento das empresas prestadoras de serviços ao oil & gas, que hoje recebem em Kz pelos serviços prestados, ao contrário das empresas estrangeiras, que recebem em USD no estrangeiro. A dificuldade que temos de aquisição de divisas afecta principalmente as empresas que estão no regime de exclusividade. Há quem defenda a alteração da lei, mas isso leva algum tempo, porque tem de ser refeita e ir ao Parlamento, mas pode-se procurar alternativas, como excepções temporárias. Caso contrário, terão de viver dos consórcios e eles continuam a pôr dinheiro fora, na medida em que estamos a falar de contratos em que 80% dos valores são pagos em consórcios no exterior e apenas 20% das divisas vêm para Angola.

Leia o artigo integral na edição 900 do Expansão, sexta-feira, dia 30 de Outubro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

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