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África

Cadeias de hotéis continuam a apostar em África graças ao segmento de luxo

OFERTA NA CLASSE ECONÓMICA E MÉDIA ABAIXO DE 3%

A Grande Cairo, no Egipto, tem, de longe, o maior número de projetos em desenvolvimento em 2026 (18% do total), seguida por Sharm El Sheikh e Lagos, na Nigéria. Egipto absorve 40% dos projectos em desenvolvimento este ano, quando se verifica uma dispersão geográfica maior, com as cadeias a sair das grandes cidades.

Cabo Verde é o único país de língua oficial portuguesa no top 10 dos países africanos com mais projectos em curso de grandes cadeias de hotéis, numa lista ordenada por número de quartos liderada pelo Egipto, com 185 hotéis e 45.984 quartos, de acordo com a 18ª edição do inquérito anual da consultora internacional W Hospitality, que revela um crescimento do sector hoteleiro acima da média mundial e animado pelo segmento de luxo.

Em segundo vem Marrocos e em terceiro a Nigéria, num ano em que Egipto, Marrocos, Nigéria, Quénia e Etiópia representam quase 60% do total de novos projectos. Cabo Verde surge em sexto lugar, com mais resorts do que hotéis, concebidos a pensar nos turistas europeus.

A análise "Projectos de desenvolvimento de cadeias hoteleiras em África 2026" tem por base respostas de 53 cadeias internacionais e regionais de hotéis e mostra a expansão de 163 marcas, mediante contratos de franchising, ou outros, já assinados. Há cadeias com apenas uma marca e outras com várias. Para fazerem parte da análise as cadeias de hotéis com sede em África têm de estar presentes em mais do que um país, ficando excluídas redes domésticas. Contratos na fase de memorando também ficam de fora da análise, que mostra 6 hotéis em construção em Angola em 2026, com 1.262 quartos. Com apenas um hotel em construção há três países: Chade, Djibouti e Níger.

A Grande Cairo, no Egipto, tem, de longe, o maior número de projectos em desenvolvimento (18% do total), seguida por Sharm El Sheikh, também no Egipto, e Lagos, na Nigéria. Existe uma enorme diferença no tamanho médio dos hotéis e resorts no top 10, variando entre 539 quartos em Sharm El Sheikh e 133 em Casablanca, Marrocos. Nairobi, no Quénia, regressa ao Top 10, após ficar de fora no ano passado, e Ain Sokhna e Marsa Alam, dois resorts no Egito, entram para a lista. Abuja (Nigéria), Boa Vista (Cabo Verde) e Dacar (Senegal), todos no top 10 do ano passado, ficaram de fora por pouco este ano.

No caso de Cabo Verde, o relatório assinala a entrada da Oásis Atlântico Hotels & Resorts, sublinhando que o grupo contribuiu para reforçar os dados relativos ao arquipélago, num ano em que o país regista uma retracção de 22,2% no número de novos quartos face a 2025, sendo o único no Top 10 que vê baixar o seu pipeline de projectos.

Oferta desajustada às viagens domésticas

Por rendimento dos hóspedes, a distribuição não se altera muito todos os anos, com a maioria dos projectos em desenvolvimento - cerca de dois terços - nas categorias de superiores Upscale e Upper Upscale. Se acrescentarmos a estes dois o segmento Luxury, chega-se a 81% do total. A participação dos projetos nos segmentos Económica e Média permanece teimosamente abaixo dos 3% a cada ano, o que revela que os promotores e investidores parecem ainda não estar interessados nestas categorias.

"Existem apenas 14 marcas nas categorias Económica e Média (sendo apenas uma delas Económica, a Yaas, do grupo Mangalis), apesar do que consideramos uma oportunidade óbvia, dado o aumento das viagens domésticas e regionais em África. O segmento é ocupado sobretudo por hotéis independentes de qualidades muito variadas - o que diz tudo", revela o relatório, assinalando uma grande lacuna neste segmento.

Este ano, parece verificar-se também uma dispersão geográfica muito maior dos contratos das cadeias, afastando-se das capitais e dos principais resorts para locais mais pequenos. O relatório aponta o caso da Etiópia. Embora Adis Abeba apareça entre as 10 principais, existem contratos assinados noutras cidades como Hawassa, Harrar e Bahir Dar. Fora das 10 principais cidades e das 10 principais estâncias de todo o continente, existem contratos celebrados em outros 170 locais....

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